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Conferência Regional de Saúde Mental reúne gestores, profissionais e usuários em defesa da melhoria da assistência

25 de maio de 2022 - 09:03 # # # # #

Letícia Maia - Ascom Sesa Texto e Fortos

Conforme o superintendente da SRFOR, Ícaro Tavares Borges, a partir da permanente discussão de ideias, serão consolidadas propostas e elencadas prioridades para posteriores debates

Nesta terça-feira (24), a Superintendência da Região de Fortaleza (SRFOR), composta por 44 municípios cearenses, promoveu, em parceria com o Conselho Estadual de Saúde (Cesau-CE), a Conferência Regional de Saúde Mental. O evento, realizado na Faculdade Ari de Sá, no Centro da Capital, reuniu gestores, profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em defesa da melhoria da assistência psicossocial no território.

Por meio do constante debate intersetorial, busca-se aprimorar políticas pertinentes à temática e transformar vidas que necessitam de cuidados, reduzindo sofrimentos associados a estigmas e preconceitos.

Na oportunidade, o superintendente da SRFOR, Ícaro Tavares Borges, reforçou o intuito do encontro. “O que nos move é melhorar os serviços da rede de saúde dos municípios e do Estado. Para isso, é imprescindível contemplar, de forma responsável, os usuários em sua totalidade, respeitando as suas especificidades, as suas histórias e os contextos sociais em que estão inseridos”, introduziu.

De acordo com o gestor, a partir da permanente discussão de ideias, serão consolidadas propostas e elencadas prioridades para posteriores debates em conferências nos âmbitos estadual e nacional.

Em seu discurso, a coordenadora de Atenção à Saúde da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Thaís Nogueira Facó, reafirmou a necessidade de se combater a histórica negligência relacionada ao tema. “A assistência se aprimora, também, com a garantia da visibilidade. Estamos diante de um assunto relevante, sobretudo, em virtude dos desafios impostos pela pandemia de covid-19, que acometeram idosos, adultos e, principalmente, crianças por causa da privação da rotina escolar presencial, tão importante para o desenvolvimento”, exemplificou.

Conforme a profissional, o adoecimento ignorado pode desencadear consequências desastrosas ao convívio em sociedade. “Os noticiários nos mostram, diariamente, situações envolvendo pessoas com dificuldades mentais sofrendo e causando sofrimento. Isso precisa ser corretamente manejado de maneira integral e territorial”, refletiu.

Palestra magna

Vládia Jucá, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), ministrou palestra magna abordando a Política de Saúde Mental como Direito.

A palestra Política de Saúde Mental como Direito compôs a programação do evento

Em sua explanação, ao contextualizar aspectos históricos, a especialista defendeu o cuidado em liberdade, a busca por avanços e a garantia de direitos voltados à atenção psicossocial do SUS.

Os desafios atuais mencionados abrangem a necessidade de investimentos significativos em serviços substitutivos, incluindo centros de convivência e projetos de geração de renda; a valorização de práticas de redução de danos, o estímulo à educação permanente e a consideração de informações relacionadas à classe, ao gênero e aos demais recortes envolvidos em sofrimentos psíquicos e nas práticas de cuidado.

Arte, criatividade e inclusão

As atividades foram compostas, também, por apresentações artístico-culturais. Para reforçar a importância da luta antimanicomial, o bloco carnavalesco “Doido é Tu”, por meio de sua musicalidade, estimulou a conscientização relacionada à saúde mental.

O grupo, majoritariamente composto por usuários e trabalhadores dos Centros de Apoio Psicossociais (Caps), compartilhou, ainda, mensagens capazes de reforçar o direito ao cuidado a partir da arte, da criatividade e da inclusão.

Durante o almoço, integrantes do grupo “Forró 100 Preconceito” animaram a ocasião ao interpretar grandes clássicos da música brasileira. Por fim, pluralizando o repertório cultural ofertado, os “Batuqueiros da Liberdade” realizaram um cortejo temático.

União de esforços

O evento contou, ainda, com a participação de José Araújo Júnior, presidente do Conselho Estadual de Saúde (Cesau-CE); de Nerilene da Silva, vice-presidente do Conselho de Secretários de Saúde (Cosems) da Região de Fortaleza; de José William Crispim Alves, representante do Fórum Cearense de Luta Antimanicomial; de Fernando José de Moura Neto, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Estado do Ceará (Condisi-CE); além de Batista Neta, militante da União de Negros e Negras pela Igualdade e integrante do Centro de Referência Estadual LGBTQIA+ Tina Rodrigues.

Segundo Jéssica Trindade, assessora técnica da SRFOR, a elaboração de políticas públicas deve ser construída a várias mãos. “Estamos diante de uma instância deliberativa máxima de controle social, onde estão envolvidos diversos atores com o intuito de buscar soluções participativas, que não sejam feitas apenas por um segmento”.