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Perda perinatal: Fórum enfatiza conscientização de profissionais para o acolhimento de famílias enlutadas

20 de outubro de 2022 - 16:19 # # # # #

Evelyn Barreto - Ascom Sesa - Texto
Ascom Sesa - Fotos

“É preciso carinho, empatia e acolhimento. Se a gente integrar esse sentimento, as coisas podem ficar mais fáceis e, talvez, menos dolorosas”, destacou a secretária executiva de Política de Saúde, Mônica Souza Lima

Escuta qualificada, acolhimento e sensibilização. Esses foram os motes principais do Fórum Estadual de Conscientização pelas Perdas Gestacional, Neonatal e Infantil, realizado na manhã dessa quarta-feira (19), no Nível Central da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa). O evento, que reuniu gestores, profissionais e estudantes de diversas áreas da saúde, teve o objetivo de sensibilizar sobre a relevância do cuidado integral e humanizado a famílias enlutadas.

A atividade integra a Semana Estadual de Conscientização pelas Perdas Gestacional, Neonatal e Infantil, em alusão ao Dia Internacional da Conscientização da Perda Gestacional ou do Recém-nascido, celebrado em 15 de outubro.

A gestação de um filho é cheia de significados e expectativas. Quando esse processo é interrompido bruscamente e rompe com a ordem natural da vida, o impacto nos pais é algo que deve ser colocado em evidência. “Costumamos dizer que esse momento é uma janela de oportunidades. É nessa hora que a equipe de saúde pode oferecer o acolhimento, a escuta sensível e o apoio necessário. O que fazemos é priorizar um olhar para além dos números e da estatística, é um olhar para as famílias”, reforçou Marley Carvalho.

Quando os pais passam pelo processo da perda, a equipe de saúde pode ser o contato mais próximo nos momentos mais cruciais, sendo ela a agente que oferece suporte e melhores cuidados para vivenciar cada etapa do luto. “Nosso trabalho é preparar as equipes não só para dar a notícia de maneira adequada, mas também para acolher e fazer o devido acompanhamento de forma que o contexto se resolva da melhor forma possível, com mais apoio e menos danos”, acrescentou Ana Vitória Linard.

Ainda durante a gestação, cria-se uma expectativa, o mundo externo se prepara para aquele nascimento e internamente isso também acontece com os pais. Para a secretária executiva Mônica Souza Lima, essa acolhida dos profissionais de saúde é uma forma de divisão da dor. “Na hora do luto, a mãe sente sua dor, o pai, os familiares. Quem irá apoiar o luto deles? É por isso que é importante essa atenção e a consciência dos profissionais. É preciso carinho, empatia e acolhimento. Se a gente integrar esse sentimento, as coisas podem ficar mais fáceis e, talvez, menos dolorosas”, destacou.

Protocolo de Cuidado Integral às Famílias na Rede de Atenção à Saúde

Durante o Fórum, foi apresentada a proposta do Protocolo de Cuidado Integral às Famílias na Rede de Atenção à Saúde, cujo intuito é fortalecer as boas práticas nos serviços de saúde que prestam cuidados aos pais após a perda de um bebê. De acordo com Marley Carvalho, alguns elementos são cruciais para realizar essa acolhida, entre eles: boa comunicação entre a família e as equipes médicas; disponibilização das informações e respeito ao processo da dor; atendimento individualizado; validação dos sentimentos dos pais; apoio contínuo e qualificação do cuidado.


“Transformar essa atenção em um protocolo, como direcionamentos e orientações, é imprescindível, inclusive, para prevenção de maiores danos à família”, pontuou Marley Carvalho

Quando um bebê morre, as experiências e percepções dos pais sobre o acolhimento e os cuidados que recebem podem afetar a forma como eles vivenciam o luto mais tarde e trazer implicações para a saúde mental. “Transformar essa atenção em um protocolo, como direcionamentos e orientações, é imprescindível, inclusive, para prevenção de maiores danos à família”, pontuou Marley.

Um dos cuidados apontados foi o da importância de nomear o bebê. A psicóloga explicou que essa metodologia ajuda os pais a reconhecer as crianças como filhos. “O Provimento 09/2019, criado pelo corregedor-geral de Justiça, o desembargador Teodoro Silva Santos, regulamentou a inclusão do nome de bebês natimortos em documentos registrados nos Cartórios de Registro Civil do Estado”, reforçou Marley.

Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal

Reestruturado pela Portaria Nº 007, de janeiro de 2022, o Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal é uma iniciativa da Sesa que visa acompanhar e avaliar as ações de assistência à saúde materna, infantil e fetal, identificar óbitos, suas causas e fatores determinantes e condicionantes, propor medidas de prevenção e intervenção para reduzi-las e apontar diretrizes para a redução das mortalidades, de caráter técnico-científico, educativo, de assessoramento, interinstitucional e multiprofissional.