Cagece recolhe cinco mil litros de óleo usado e fortalece preservação ambiental em Jericoacoara

5 de janeiro de 2026 - 14:47 # # #

Ascom Cagece - texto, vídeo e fotos

Na vila de Jericoacoara, um projeto desenvolvido pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) vem promovendo a destinação correta do óleo de cozinha usado, unindo preservação ambiental, prevenção de obstrução na rede de esgoto e geração de renda para a comunidade local. Esse projeto é o Óleos de Jeri, que recolhe o resíduo de estabelecimentos comerciais da vila, evitando o descarte irregular e seus impactos ao meio ambiente.

Criado em 2024, o Óleos de Jeri tem como principal objetivo recolher o óleo de cozinha usado de restaurantes, hotéis, pousadas e estabelecimentos comerciais da vila, evitando que esse resíduo seja descartado de forma inadequada na rede de esgoto. Somente em 2025, cerca de cinco mil litros de óleo deixaram de ir para as tubulações, contribuindo diretamente para a preservação do sistema de esgotamento sanitário e dos recursos hídricos da região.

O impacto ambiental é significativo. Estudos apontam que um único litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água, já que suas substâncias não se dissolvem e, ao chegarem a rios, lagos ou oceanos, prejudicam a vida aquática e causam poluição. Em um território como Jericoacoara, onde o meio ambiente é o principal motor do turismo e da economia, esse cuidado se torna ainda mais essencial.

“O principal objetivo do programa é evitar que o óleo seja despejado na rede de esgotamento sanitário, fazendo um trabalho de parceria com os estabelecimentos de Jericoacoara. A Cagece fornece para o empreendedor um recipiente adequado para a coleta do material e todo óleo é recolhido e entregue para a cooperativa de catadores de Jeri”, explica Delano Cidrack, gerente de Meio Ambiente da Cagece.

A iniciativa funciona de forma simples e eficiente. As equipes sociais da Cagece realizam visitas periódicas aos estabelecimentos, promovendo ações de conscientização sobre o uso correto da água e os cuidados com a rede de esgoto. A partir dessa aproximação, a companhia disponibiliza recipientes coletores que ficam instalados nas cozinhas, onde o óleo usado é armazenado de forma segura.

Com o material acumulado, entra em cena a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Jericoacoara, responsável pela retirada semanal do óleo. Todo o resíduo coletado é encaminhado para a Idama, empresa piauiense que realiza o reaproveitamento, transformando o óleo em produtos como sabão, vela, ração e outros insumos.

Além da preservação ambiental, o projeto atua de forma preventiva na infraestrutura da vila. “Com a retirada do óleo da rede de esgoto a gente vai prevenir e evitar futuras obstruções nas redes. Essas obstruções causam transtornos para a vila, tanto para os moradores, como também para comerciantes e turistas. A partir do momento que a gente retira esse óleo, estamos evitando essa gordura de entupir um cano ou um sistema maior”, destaca Marina Barreto, gestora da Cagece no núcleo de Jericoacoara.

O reflexo positivo se estende para o aspecto social. A destinação correta do óleo gera renda para os catadores da cooperativa, fortalecendo a economia local e promovendo inclusão. “Hoje a gente tem um valor fixado no litro do óleo que pode gerar até R$ 3 e deixa uma renda razoável aos catadores da cooperativa que trabalham na vila”, conta Edicarlos Araújo, secretário da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Jericoacoara.

Entre os estabelecimentos participantes, alguns se destacam pelo engajamento contínuo. É o caso do Club Ventos, que foi o mais assíduo do projeto em 2025, destinando cerca de 1.125 litros de óleo. Para quem vive do turismo sustentável, a adesão é quase um compromisso natural.

“Nós vivemos do turismo, do mar e de todo o meio ambiente da vila. Precisamos que todo esse sistema funcione em harmonia para que o turismo prospere. Por isso nós aderimos ao projeto e fizemos toda a preparação interna junto aos funcionários para que pudéssemos entregar um bom resultado”, afirma Camila Dias, chef de cozinha do Club Ventos.

O projeto Óleos de Jeri é desenvolvido em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA), fortalecendo a integração entre poder público, iniciativa privada e comunidade. 

Para 2026, a expectativa é de crescimento. “A ideia é fazer com que o projeto ganhe novos estabelecimentos adeptos. A Cagece vai seguir fortalecendo as visitas de porta a porta, explicando os benefícios e como funciona”, adianta Delano Cidrack.

Além disso, novas ações educativas estão previstas. “Também faremos, em parceria com a gerência de Responsabilidade e Interação Social da companhia, oficinas abertas de produção de sabonetes e velas a partir do óleo, fazendo com que esse produto retorne aos estabelecimentos que estão apoiando o Óleos de Jeri”, completa o gerente.

Confira mais informações na edição de número 9 do Cagece em Pauta: