Banco Mundial destaca investimento de R$ 300 milhões no Cinturão Digital do Ceará
14 de janeiro de 2026 - 11:41 #Cinturão Digital #Etice #tecnologia
Ascom Etice

Para além da infraestrutura digital, o Ceará destaca-se no estudo do Banco Mundial “O Nordeste Digital”, produzido para o Consórcio de governadores da região. O relatório aponta também os pontos fortes do estado no capital humano e capacitação, nos serviços digitais públicos e privados, no ambiente institucional e governança e no ambiente de negócios, por meio da inovação e ecossistemas produtivos.
“O Ceará destaca-se pela inclusão digital territorializada”, assinala o documento. Como exemplo, cita a existência, no estado, de 500 pontos de acesso digital em comunidades de difícil acesso, equipados com internet de alta velocidade e suporte técnico local.
Em números arredondados do acesso digital territorial no Ceará, citados pelo Banco Mundial, 100 mil cidadãos acessam a internet, por mês, nestes 500 pontos, “muitos deles tendo seu primeiro contato com serviços digitais”. A abrangência do Cinturão Digital do Ceará (CDC), com 5.921 Km e velocidade de 200 Giga – que neste ano será ampliada para 400 Giga -, cobre 139 municípios, o que corresponde a mais de 72% do território cearense e mais de 90% da população.

Inclusão digital
Segundo o Banco Mundial, o Ceará se destaca pela política de inclusão digital territorializada, garantindo que áreas rurais e populações historicamente excluídas participem da economia digital. Por meio do CDC, o programa Ceará Conectado atende hoje a 136 das 184 municípios, com acesso livre à internet em praça pública escolhida pela municipalidade. Este ano, foram contabilizados neste projeto quase 900 mil cearenses com acessos à rede.
“Com investimento de R$ 300 milhões, o Ceará criou uma infraestrutura de base para a digitalização de serviços públicos, educação remota e empreendedorismo digital”. Dois dos 12 pares de fibra óptica do Cinturão Digital foram entregues por meio de concessão para provedores de internet. A medida impulsionou o surgimento de mais de 500 provedores regionais de internet (ISPs) que utilizam sua rede para oferecer serviços de conectividade a governos, a empresas e à população em geral. Esse ecossistema descentralizado gera empregos locais, amplia a concorrência e fortalece a economia digital em todo o estado.
Capital humano
Os dados sobre capital humano e capacitação são consolidados pelo Banco na região Nordeste como um todo, sem separação por estado. A região forma por ano 15 mil profissionais em cursos ligados à tecnologia da informação. O Nordeste forma 2 mil doutores e possui mais de 800 programas de pós-graduação, dos quais 150 são doutorados nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia e ciências sociais aplicadas.
“A rede de Institutos Federais (liderada pelo Ceará) representa uma das mais bem sucedidas políticas de interiorização da educação profissional e tecnológica no Brasil, com mais de 150 campi distribuídos estrategicamente”, informa o relatório. O estudo do Banco Mundial, que tem como subtítulo “Fundamentos para a elaboração de uma estratégia de transformação regional”, foi produzido por de Raimundo Nogueira da Costa Filho, Luciano Charlita de Freitas, Julian Najles e Luís Alberto Andrés.
”A expansão do ensino superior, a consolidação dos institutos federais, os centros de pesquisa e a ampliação da educação técnica são tratadas como pilares da formação de talentos para a economia digital. O Nordeste é um celeiro de talentos com potencial global, cujo protagonismo é indispensável para sustentar a transição digital regional”.
Região que produz soluções de tecnologia
Ao examinar a inovação e ecossistemas produtivos, o Banco Mundial observa que o Nordeste deixou de ser apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas em outros centros e passou a ocupar posição progressivamente mais relevante como produtor de soluções digitais, científicas e tecnológicas. O documento acrescenta que “as universidades e centros de pesquisa são motores da inovação regional. A integração entre pesquisa acadêmica e empreendedorismo é apresentada como um caminho para transformar ciência em valor econômico, fortalecendo a autonomia tecnológica da região”.

Os dados coligidos pelo Banco Mundial atestam a transformação digital que está em processo no Nordeste. A região conta com 23,5% das startups brasileiras, e ultrapassa o Sul em densidade destas empresas. O Nordeste também se posiciona como polo de inovação em tecnologias limpas, com 15% das startups focadas em energia renovável. Os investimentos em startups nordestinas já superam R$ 500 milhões anuais, com crescimento superior a 40% ao ano. O investimento em pesquisa e desenvolvimento no Nordeste alcançou 1,2% do PIB regional, superando a média nacional. O setor de tecnologia já representa cerca de 8% do PIB nordestino e cresce 15% ao ano.