Ceará articula parceria com consórcio catarinense para transformar resíduos sólidos em ativos econômicos

15 de janeiro de 2026 - 11:09 # # #

Ascom SDE - texto e foto

Diretores do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí apresentaram tecnologia que recupera até 96% dos resíduos, gerando energia e novos produtos

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, atua em diversos consórcios regionais de resíduos sólidos. Agora, em parceria com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), o Estado busca integrar a gestão de resíduos ao fortalecimento da economia local. O titular da SDE, Domingos Filho, recebeu Fernando Tomaselli, diretor executivo do Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI), de Santa Catarina, para alinhar a replicação de um modelo de sucesso que transforma o que antes era “lixo” em fonte de receita e energia.

O encontro foi um desdobramento de uma visita técnica realizada pelo secretário ao estado de Santa Catarina no final do ano passado. O modelo catarinense, já existe há 3 anos, em 19 municípios. Se destaca pela alta eficiência pois alcança 96% de aproveitamento de todos os resíduos coletados.

Diferente dos aterros sanitários convencionais, a tecnologia discutida se concentra na integralidade dos resíduos. O processo inclui a reciclagem tradicional e a transformação de rejeitos (como restos orgânicos e resíduos de banheiro) em produtos termoplásticos, adubo para compostagem e geração de energia através de um processo de desidratação.

“Queremos um passivo virando um ativo. É uma realidade já consolidada e operacional, com plantas que processam quase 200 toneladas por dia”, explicou Fernando Tomaselli. Segundo o diretor, a proposta para o Ceará envolve parcerias estratégicas, possivelmente com a Urbantec – empresa focada em tecnologia para cidades inteligentes, desenvolvendo soluções de infraestrutura de iluminação pública e sistemas de gestão urbana para cidades mais sustentáveis e integradas, atuando com inovação e transformando o setor público com tecnologia -, unindo o interesse público à eficiência da operação privada.

Outro destaque do projeto é a inclusão social. O sistema não concorre com as cooperativas de reciclagem; pelo contrário, as integra ao processo. Ao processar o rejeito que sobra da reciclagem comum (cerca de 80% do volume doméstico), o projeto potencializa a venda em escala e aumenta a renda dos cooperados.

Para o secretário Domingos Filho, a implantação desse modelo no Ceará representa o alinhamento perfeito entre crescimento econômico e responsabilidade ambiental. “Nosso objetivo com essa articulação é trazer para o Ceará uma solução que já se provou viável e eficiente. Queremos impulsionar um desenvolvimento econômico que seja, de fato, sustentável. Ao tratarmos os resíduos sólidos gerados pelas nossas indústrias e pelo comércio, não estamos apenas limpando nossas cidades, estamos criando uma cadeia produtiva. É a economia circular na prática: transformamos o problema do lixo em oportunidade de negócio, geração de energia e, principalmente, dignidade e emprego para o povo cearense”, avalia o titular da SDE.

Próximos passos

A viabilidade técnica e os modelos de parcerias público-privadas (PPPs) continuarão sendo analisados pela SDE para identificar as regiões do estado com maior potencial para receber as primeiras plantas industriais de tratamento.