Cuidar de quem acompanha: saúde mental dos familiares integra assistência hospitalar no HUC
16 de janeiro de 2026 - 10:45 #HUC #Janeiro branco #psicologia #Rede Sesa #saúde
Assessoria de Comunicação do HUC
Texto e foto: Radene Fortaleza
Durante a internação da esposa, Fábio Souza encontra no acompanhamento psicológico do HUC um espaço de escuta e acolhimento
A rotina de uma internação prolongada costuma ser marcada por medo, ansiedade, insegurança e exaustão emocional, exigindo acolhimento e cuidado não apenas para o paciente, mas também para quem o acompanha ao longo do tratamento. Há quase cinco meses ao lado da esposa no Hospital Universitário do Ceará (HUC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Fábio Antônio Silva Souza, 39 anos, relata os impactos emocionais vivenciados durante esse período.
“São dias difíceis, de muita espera e incerteza. A gente tenta ser forte o tempo todo, mas o cansaço emocional existe. Mesmo assim, procuro estar bem para apoiar minha esposa”, afirma.
Durante o período de internação, Fábio passou a receber acompanhamento da equipe de Psicologia do HUC. De acordo com a psicóloga hospitalar Karina Marinho Silveira, que acompanha a família, o apoio aos familiares integra de forma essencial a assistência em saúde. “O suporte psicológico aos familiares não é uma extensão, e sim parte da tríade de assistência no contexto hospitalar: paciente, família e equipe. O familiar compõe o próprio processo terapêutico do paciente, tanto no aspecto orgânico quanto no emocional”, explica.
O acompanhante destaca a importância de reconhecer os próprios limites e buscar ajuda sempre que necessário. “Eu sempre digo aos outros acompanhantes daqui para não guardarem esse sentimento. Quando me sinto mais fragilizado, procuro a psicóloga. Essas conversas me fazem sentir melhor”, relata Fábio.
Segundo Karina Marinho Silveira, sentimentos como medo, ansiedade, vivências de luto e dificuldades de comunicação podem fragilizar emocionalmente quem está à frente dos cuidados. Esse estado emocional interfere diretamente na relação com o paciente e com a equipe de saúde. “Familiares com recursos de enfrentamento mais fortalecidos podem favorecer a adesão ao tratamento, o prognóstico e a recuperação, especialmente em casos de hospitalizações prolongadas”, destaca.
Para a psicóloga, buscar ajuda é um gesto de cuidado, não de fraqueza. “Não é preciso adoecer para procurar apoio psicológico. Reconhecer que o cuidado está exigindo mais do que se consegue sustentar sozinho já é um sinal importante de que é hora de ser escutado”, conclui.
Janeiro Branco
O Janeiro Branco é uma campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental. Ao longo do mês, o HUC promove diversas ações voltadas a pacientes, acompanhantes e trabalhadores, reforçando a importância do cuidado integral com a saúde mental. A Psicologia Hospitalar atua no acolhimento e no acompanhamento emocional dos familiares durante todo o período de internação e, quando necessário, realiza encaminhamentos para a Rede de Atenção Psicossocial, garantindo a continuidade do cuidado.