Hemoce integra marco histórico de mil transplantes de medula óssea realizados pelo SUS no Ceará
11 de fevereiro de 2026 - 09:42 #Hemoce #medula óssea #transplante
Assessoria de Comunicação do Hemoce
Texto e fotos: Ismael Azevedo
Hemoce é o único órgão no Ceará responsável pela captação e cadastro de doadores voluntários de medula óssea
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), equipamento da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), integra a rede de instituições responsáveis pelo marco histórico de mil transplantes de medula óssea (TMO) na rede pública do Ceará, alcançado em janeiro de 2026. O resultado simboliza o avanço da rede de saúde no Estado e a ampliação do acesso a tratamentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde a implantação do Serviço de Transplante de Medula Óssea no Ceará, em 2008, o Hemoce é o único órgão responsável pelo cadastro de doadores voluntários de medula óssea, além da coleta das células-tronco hematopoiéticas e do suporte transfusional necessário aos pacientes submetidos ao procedimento. No Estado, o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), unidade federal integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC), é o responsável pelo procedimento pelo SUS.
Até fevereiro de 2026, 168 coletas foram registradas, sendo 102 para transplantes de medula no Brasil e 66 para outros países, como Argentina, Estados Unidos, Canadá, Itália, França, Portugal, Holanda, Alemanha, Espanha, Dinamarca, Inglaterra, Turquia e Israel. Os dados se referem ao período desde a implantação do serviço no Ceará.
Para a diretora-geral do Hemoce, Luany Mesquita, os números refletem tanto o trabalho técnico da instituição quanto o engajamento da população cearense.
“O Hemoce é o único órgão no Ceará responsável pela captação e cadastro de doadores voluntários de medula óssea. E é uma grande satisfação ver o nosso estado se destacar como o que possui o maior número de cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) entre as regiões Norte e Nordeste. Esse resultado mostra que o trabalho de conscientização desenvolvido ao longo dos anos tem sido efetivo e, principalmente, revela o quanto a população cearense é solidária, comprometida e disposta a ajudar de forma voluntária e altruísta. Cada cadastro representa uma nova possibilidade de vida para quem aguarda por um transplante”, afirma.
O processo do transplante
A atuação integrada entre o Hemoce e o HUWC busca garantir segurança, agilidade e qualidade em todas as etapas do transplante, desde a identificação do doador compatível até o acompanhamento transfusional do paciente, fortalecendo a rede pública de atenção às doenças hematológicas.
O serviço de cadastro de doadores de medula óssea no Ceará iniciou no ano 2000, com a inclusão de voluntários no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), banco de dados responsável por cruzar informações genéticas de doadores e pacientes que aguardam por um transplante. Desde então, mais de 244 mil cearenses já foram cadastrados pelo Hemoce, consolidando o Estado como o que possui o maior número de voluntários inscritos entre as regiões Norte e Nordeste.
Após o cadastro no Redome, o voluntário passa a integrar um banco nacional de dados genéticos. Quando é identificada compatibilidade com algum paciente, o processo segue etapas rigorosas de confirmação e segurança. A gerente de Transplantes do Hemoce, Francisca Rodrigues, detalha como funciona esse percurso. “Após o cadastro, o potencial doador permanece no Redome até que seja identificada compatibilidade com algum paciente ou até completar 60 anos. Quando isso acontece, o doador é contatado para confirmar o interesse em seguir com o processo e realizar novos exames de confirmação”, diz.
“Todas as etapas seguintes são realizadas no Hemoce, com segurança e acompanhamento de uma equipe multiprofissional, incluindo avaliações clínicas, laboratoriais e de imagem, para garantir que a doação seja segura tanto para o doador quanto para o paciente. Somente após essa confirmação é que a coleta das células-tronco é agendada e realizada”, completa Francisca.
No dia 26 de setembro de 2008, o Ceará realizou o primeiro transplante de medula óssea na rede pública de saúde, um marco que abriu caminho para o fortalecimento do serviço no Estado. Atualmente, o Hemoce realiza a triagem de candidatos, testes de compatibilidade, exames e a coleta da medula por aférese. O hemocentro também é responsável pela coleta de células para transplantes alogênicos não aparentados, beneficiando pacientes de outros estados e até de outros países.
Para muitos pacientes diagnosticados com a doença, o transplante de medula óssea pode representar a única chance de cura. Quando não há compatibilidade entre familiares, a busca por um doador é realizada por meio do Redome.
Como se tornar doador de medula óssea
Para se cadastrar como doador de medula óssea, é necessário:
+ Ter entre 18 e 35 anos;
+ Não possuir histórico pessoal de doenças oncológicas;
+ Apresentar um documento oficial de identidade;
+ Fornecer telefones para contato;
+ Preencher um formulário com dados pessoais;
+ Realizar a coleta de 5 ml de sangue para testes de compatibilidade.
Ao se cadastrar, o voluntário se coloca à disposição para salvar não apenas a vida de um paciente, mas também a esperança de uma família inteira. Cada doação representa um gesto de solidariedade que transforma realidades, conecta histórias e reafirma o valor da vida.
Quem já é cadastrado deve manter os dados atualizados, especialmente em caso de mudança de endereço ou telefone. A atualização pode ser feita pelo aplicativo do Redome ou em qualquer unidade do Hemoce.