Quando o uso da medicação contra a influenza é necessário? Entenda indicações
10 de março de 2026 - 14:20 #doenças infecciosas #gripe #Hospital São José #HSJ #influenza
Assessoria de Comunicação do HSJ
Texto e fotos: Allane Marreiro
O oseltamivir só faz efeito no tratamento de gripes causadas pelo vírus da influenza
Com a circulação de vírus respiratórios, é comum a procura de medicamentos que tratem os sintomas gripais. Entre eles, está o oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, indicado para o tratamento de casos graves de gripe causados pelo vírus influenza. No entanto, especialistas alertam que o medicamento não deve ser utilizado sem avaliação médica, já que nem todo quadro gripal é causado por influenza.
De acordo com orientações do Ministério da Saúde, a chamada síndrome gripal pode ser causada por diferentes agentes, ou seja, diversos vírus respiratórios podem provocar sintomas semelhantes, como febre, tosse, dor de garganta, dor no corpo e coriza. Por isso, o diagnóstico correto é fundamental para definir o tratamento adequado.
A médica infectologista do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Fernanda Remígio, reforça que o medicamento precisa de prescrição.
“Está se tornando comum as pessoas tomarem oseltamivir sem uma avaliação médica prévia. Nas pessoas que têm quadros gripais que não são causados pelo vírus da influenza A, ele não vai ter efeito algum”, pontua.
Ela explica ainda que, mesmo positivando para o vírus, nem sempre a medicação é indicada. “Em casos de influenza em grupos de pessoas jovens, sem comorbidades e sem os critérios para esse tratamento, o uso do oseltamivir pode ser desnecessário, expondo a pessoa a possíveis efeitos colaterais sem necessidade. Isso também pode contribuir para a resistência do vírus à medicação no futuro”, complementa a infectologista.
Para a profissional, o uso inadequado do medicamento pode expor o paciente a efeitos colaterais desnecessários e ainda contribuir para a resistência viral
Segundo a especialista, a decisão de iniciar o tratamento com o oseltamivir depende de uma avaliação clínica completa. O médico é quem deve analisar a gravidade do quadro clínico, a idade do paciente, a presença de comorbidades e outros fatores de risco que possam levar a um quadro mais grave.
Quem deve usar o medicamento?
Em grande parte dos casos, a gripe é uma doença autolimitada, ou seja, melhora espontaneamente após alguns dias, principalmente em jovens e adultos saudáveis, com alguns cuidados básicos como repouso, bastante hidratação e uso de medicamentos simples para o controle da febre e da dor.
Por isso, o tratamento com o oseltamivir é prioritariamente indicado para pessoas com maior risco de desenvolver complicações, como:
– Pessoas idosas;
– Crianças menores de cinco anos;
– Gestantes e puérperas;
– Pessoas com doenças crônicas, como cardiovasculares, pulmonares ou renais;
– Pacientes com imunidade baixa ou que utilizam medicamentos imunossupressores.
Além desses grupos, o medicamento também é indicado em casos mais graves da doença ou quando há sinais de agravamento do quadro clínico e respiratório.
De acordo com a infectologista Fernanda Remígio, o tratamento para quem tem indicação do uso do fármaco deve ser iniciado o mais cedo possível após o início dos sintomas. “O ideal é dentro de cinco dias do início do quadro, de preferência nas primeiras 48 horas, que é quando a medicação tem maior eficácia”, ressalta a infectologista.
Como obter o medicamento no SUS
De acordo com o farmacêutico do Hospital São José, Mário Lima, o medicamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mediante prescrição médica.
“No Ceará, o medicamento pode ser obtido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e também no Hospital São José. Para receber o medicamento, é necessário apresentar receita médica impressa. Em casos de teleatendimento, a receita deve ter a assinatura eletrônica do prescritor”, explica o farmacêutico.