“Volto a ser garoto”: corrida e dança ressignificam vida de paciente com diabetes atendido no CIDH

13 de março de 2026 - 11:53 # # #

Assessoria de Comunicação do CIDH
Texto: Thiago Mendes
Fotos: Arquivo Pessoal

Os agricultores Juaci Barros, 62, e Francisca Livania Pinheiro, 55, são casados e correm juntos. Eles participam de corridas no interior do estado, acumulando medalhas e pódios

Antes de subir ao pódio ou segurar um troféu, o agricultor Juaci Barros, 62, sempre levanta as mãos para cima, agradece a Deus e experimenta a sensação de “voltar a ser garoto”. Há quatro anos, essa tem sido a rotina do paciente do Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), unidade da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), que encontrou na corrida a oportunidade de viver com mais saúde e felicidade.

Ele acumula cinco pódios e dezenas de medalhas, conquistadas em corridas Ceará afora. “A parede está toda fantasiada de fotos e troféus”, diverte-se ele. O morador de Milhã, no Sertão Central, descobriu aos 36 anos que tinha diabetes tipo 2, a “danada”, como ele chama. “Fiquei confuso. Achei que era uma doença complicada, que não dava pra viver a vida. Muitas pessoas, quando descobrem, fazem uma tempestade, como se fosse doença para matar. Não considero dessa maneira. Dá para se vencer”, ensina Juaci.

Ele conta que o trabalho pesado na roça e vacaria dificultava os cuidados com a condição, mas, à medida que foi diminuindo o ritmo da labuta, Juaci decidiu fazer atividade física e correr. Tudo começou com caminhadas, depois veio a dança (zumba) e, em seguida, a corrida, atividade devidamente acompanhada por um profissional. Os exercícios são incentivados pelo educador físico Denis Souza, responsável por um projeto que incentiva esportes na região de Senador Pompeu. “Minha mulher e o Denis são os maiores incentivos que eu tenho na vida para continuar correndo”, resume Juaci.

Corrida e dança fazem parte da rotina da família

A também agricultora Francisca Livania Pinheiro, 55, aparece ao lado do marido em vídeos de São João e fotos de corrida e subidas coletivas ao Monte Sombrio, em Milhã. “A gente leva lanterna, vai bater lá em cima! A gente faz uma festa boa, leva alimentação. Esse grupo (do projeto) se tornou uma família unida de coração. Estamos unidos o tempo todo. A motivação faz a gente ficar melhor”, ensina Juaci.

Juaci Barros (lado direito), ao lado de Denis Souza, educador físico, e da esposa Francisca Livania Pinheiro

Mais que remédio

O agricultor é acompanhado há 23 anos no Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH). “Sou bem atendido, por profissionais e atendentes, toda vez que eu vou. Eu tomo medicação e insulina direitinho e procuro fazer a dieta como a nutricionista manda”, ensina Juaci. Entre os itens que ele diz “dar uma diminuída” estão os carboidratos, principalmente arroz e macarrão. “Se você fizer atividade física e alimentação certa o sucesso está junto com a gente. É só maneirar um pouco”, resume.

Ele conta que foi fácil começar a fazer exercício físico por meio da dança, pois “eu sempre gostei de dançar um forró”, diverte-se o agricultor. Mas para quem tem diabetes e ainda está sedentário, Juaci incentiva a dar o primeiro passo: “Quem quer fazer as coisas não mede esforços. O bom é você iniciar. Depois Deus abençoa”.

Outra lição importante de Juaci sobre o controle da diabetes é: “o medicamento ajuda, mas não faz a função completa. Caminhe o quanto você puder, dentro do seu limite. Comece devagarinho e tudo vai evoluindo um pouco. Tudo vai mudar”.

Sobre as dúvidas que acompanham o diagnóstico de diabetes, Juaci é certeiro: “Não tenha medo. Não vá botar isso na cabeça. Devemos controlar nossa alimentação e botar nosso pezinho no chão (em referência à caminhada e corrida). Seu corpo agradece e muito.”

Controle da glicemia

Além do bem-estar físico e mental, Juaci observa a relação entre o exercício físico e o controle da glicemia. “Eu começo (o exercício) com 230 (mg/dL) e ela cai para 150, às vezes 80, 90”, contabiliza o corredor.

Juaci faz uso de insulina e aprendeu, com a orientação do CIDH, a compreender os sinais quando a concentração de açúcar no sangue começa a subir ou baixar. “Digo a todo mundo: o corpo dá todo o ensino da situação, dá toda a pista”, aponta Juaci. Quando a glicemia está alta (hiperglicemia), Juaci começa a sentir fadiga e urina mais. Quando a glicemia cai muito (hipoglicemia), ele sente “frieza” no corpo.

“Por isso, eu não viajo sem levar uma coisa para alimentação. Dou uma caminhada mais longa e já faço uma verificação da glicemia”, conta Juaci. Para casos de hipoglicemia, Juaci tem sempre à mão um “melzinho”.

Além do mel, explica Graça Lima, gerente do setor de Enfermagem do CIDH, são opções para controlar hipoglicemias (entre 55 e 69 mg/dL):

– uma colher de sopa de açúcar dissolvido em um copo de 150 mL;
– um copo de suco de laranja (sem açúcar);
– ou um copo de refrigerante com açúcar.

Para níveis abaixo de 54 mg/dL as recomendações são:

– duas colheres de sopa de açúcar dissolvido em um copo de 150 mL;
– dois copos de suco de laranja (sem açúcar);
– ou dois copos de refrigerante com açúcar.

Graça explica ainda que, para mulheres grávidas com diabetes, a hipoglicemia é verificada em níveis abaixo de 65 mg/dL. Em caso de inconsciência, é preciso chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.

Esporte e qualidade de vida

Débora Barroso, fisioterapeuta do CIDH, explica que a prática de exercício físico é muito importante no controle da glicemia, na prevenção de complicações e na melhora da qualidade de vida. Ela alerta, porém, para alguns cuidados essenciais. “Antes do exercício, é importante verificar a glicemia, principalmente se a pessoa usa insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia. Também é fundamental estar bem alimentado e hidratado”, detalha Débora.

É recomendado medir a glicemia novamente, depois do exercício, porque o nível de açúcar no sangue pode continuar caindo. Durante a prática, a pessoa deve ficar atenta a sinais como tontura, tremores, suor excessivo ou fraqueza, que podem indicar queda do nível da glicose. “Nesses casos, o exercício deve ser interrompido e a glicemia checada”, ensina.

A fisioterapeuta do CIDH cita também a importância de manter a regularidade da atividade física, sempre com orientação de profissionais de saúde.

O que é a diabetes

A diabetes é uma condição crônica caracterizada pela concentração de açúcar no sangue (hiperglicemia crônica). Quando essa concentração acontece por muito tempo, sem controle, aumentam-se os riscos para lesões em órgãos e outras partes do corpo: coração, rins, olhos, pés, vasos sanguíneos e nervos. A diabetes não tem cura, mas é possível controlar e viver com saúde.

No Brasil, a frequência da diabetes foi registrada em 10,2% da população nas capitais brasileiras, de acordo com a pesquisa Vigitel 2025, do Ministério da Saúde. Esse número aponta para a estimativa de que 20 milhões de brasileiros convivam com a condição atualmente.

Além do acompanhamento com profissionais de saúde, é essencial mudar os hábitos de vida para controle da diabetes e prevenção (no caso da diabetes tipo 2, a mais comum).

Sobre o CIDH

O CIDH presta assistência especializada, ensino e pesquisa em diabetes e hipertensão. O atendimento a crianças com alterações no crescimento e desenvolvimento com baixa estatura e/ou puberdade precoce também faz parte do compromisso do CIDH, que conta com equipe interdisciplinar.

Os pacientes são encaminhados pela Central de Regulação do Estado para abertura de prontuário. Novos pacientes devem se encaixar em algum dos seguintes critérios:

+ Pessoas com diabetes tipo 1 (adultos, crianças e adolescentes);
+ Pessoas com diabetes tipo 2 com alto e muito alto risco;
+ Gestantes com diabetes gestacional;
+ Pessoas com lesões relacionadas com o Pé Diabético;
+ Pessoas com hipertensão arterial nos estágios 2 e 3;
+ Crianças com puberdade precoce e/ou baixa estatura.