MIS CE abre exposição que evidencia luta, memória e protagonismo dos povos indígenas a partir de 28 de março
24 de março de 2026 - 09:20 #Jenipapo-Kanindé #Kanindé #MIS #Tremembé
Ascom MIS - texto
Iago Jenipapo - foto

“Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará” reúne obras com narrativas de 17 povos indígenas distribuídos em 21 municípios do Ceará e será realizada na Galeria da Liberdade
O Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE) inaugura a exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará” no dia 28 de março (sábado), a partir das 15h. A cerimônia de abertura será realizada na praça do MIS CE. A curadoria é de Nyela Jenipapo, Rodrigo Tremembé e Suzenalson Kanindé, indígenas dos povos Jenipapo-Kanindé, Tremembé e Kanindé. A mostra, a ser realizada na Galeria da Liberdade, apresenta obras que reúnem narrativas de resistência, de luta e de identidade de 17 povos indígenas presentes em 21 municípios do Ceará. A Galeria da Liberdade faz parte do conjunto arquitetônico do Palácio da Abolição e é gerida pelo MIS CE. O museu integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará, vinculada à Secretaria da Cultura, com gestão parceira do Instituto Mirante.
A solenidade de abertura contará com a presença da curadoria da mostra, lideranças indígenas de artistas participantes e de representantes da Sepince, reunindo diferentes vozes comprometidas com a afirmação dos direitos, saberes e territorialidades indígenas no estado. Na ocasião, haverá também a realização do Toré, ritual comum a diversas etnias da região Nordeste, e do Torém, ritual sagrado do Povo Tremembé. A mobilização para a abertura da exposição conta com apoio da Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepince).
A exposição
“Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará” destaca o fortalecimento histórico de povos indígenas por meio das cosmologias, organizações e articulações políticas. Reunindo narrativas de indígenas que habitam o Ceará, entre eles Jenipapo-Kanindé, Tremembé, Kanindé, Anacé, Pitaguary, Tapeba, Kariri, Potyguara, Tabajara e Gavião, a exposição revela trajetórias marcadas pela resistência às violações de direitos, pela afirmação identitária e pela ocupação de espaços de poder a partir de modos próprios de viver, governar e lutar. São 31 obras, dentre as quais estão fotografias e outras artes visuais, instalação e obra sonora, de 11 artistas.
A mostra também destaca a preservação das línguas originárias, como o Nheengatu, o Dzubukuá e a língua Tremembé, compreendidas como territórios vivos de memória e continuidade. Do litoral ao sertão, da cidade às matas sagradas, as vozes desses povos ecoam em expressões como o Toré e o Torém, que são manifestações espirituais, políticas e coletivas que passam por gerações.
Por meio de obras em grafismo, em áudio e fotografia, artistas indígenas do Ceará apresentam produções que dialogam com resistência, autonomia e espiritualidade. As obras abordam desde processos de retomada territorial e manifestações históricas por direitos até práticas de cura, celebrações culturais e reafirmações identitárias. Além das obras e fotografias, a curadoria apresenta um ato curatorial de frases ditas por lideranças indígenas estaduais e nacionais.
“Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará” reafirma a centralidade das narrativas indígenas, colocando esses povos como protagonistas de suas próprias histórias. A exposição propõe um espaço de escuta, reconhecimento e fortalecimento das lutas, entrelaçando memória, verdade e justiça. Frases que emergem como gritos de resistência e afirmação coletiva também compõem o percurso expositivo, ampliando a experiência do público.
Curadoria
A curadoria da exposição é assinada por três indígenas do Ceará com trajetórias que articulam pesquisa, arte, museologia e atuação política nos territórios: Nyela Jenipapo, Rodrigo Tremembé e Suzenalson Kanindé. “Do litoral ao sertão, da cidade à mata sagrada, esses povos ecoam suas vozes, cantos e encantos por meio do Toré e do Torém, expressões espirituais, políticas e coletivas que atravessam gerações. São povos que resistem no tempo, afirmam suas identidades e mantêm vivas suas práticas culturais, espirituais e territoriais, fortalecendo a luta indígena no Ceará”, ressaltam as pessoas curadoras da exposição.
Nyela Jenipapo é pesquisadora, comunicadora e museóloga, com participação na criação do Museu Indígena Jenipapo-Kanindé e em iniciativas voltadas à memória e aos museus indígenas. Rodrigo Tremembé desenvolve uma prática artística que conecta arte, moda e ancestralidade, com participação em exposições nacionais e internacionais. Já Suzenalson Kanindé é pesquisador e articulador na área de patrimônio e memória, com atuação em redes de museologia social e políticas culturais indígenas. Juntos, os curadores constroem uma proposta que valoriza os protagonismos indígenas, além de fortalecer narrativas e identidades e a luta por território e direitos no Ceará.
A exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará” apresenta obras de artistas, fotógrafos e DJ indígenas do Ceará. A exposição será composta por cinco artes visuais, uma instalação, uma faixa sonora e 24 fotografias. As imagens que compõem o percurso expositivo trazem frases que emergem como gritos de resistência e de afirmação coletiva, ampliando os olhares e a experiência do público.
Os artistas que integram a mostra são: Cícero Kanindé, Jardel Anacé, Merremii Karão Jaguaribara, Moisés Tremembé, Rudá Jenipapo, Iago Jenipapo, Lidiane Anacé, Victor Kanindé, Clarinha Kanindé, Henrique Tabajara e Rapha Anacé.
Galeria da Liberdade
Criada em junho de 2025, a Galeria da Liberdade afirma a centralidade da luta pela garantia de direitos humanos na construção de uma sociedade mais democrática e diversa, na qual a cultura e a educação são fundamentais para o exercício pleno da cidadania e o combate ao racismo. Trata-se de um lugar de experimentação artística, no qual o som e a imagem narram o passado e fazem imaginar, coletivamente, outros futuros. O horário de funcionamento é quarta e quinta-feira, das 10h às 18h, e sexta e sábado, das 13h às 20h, com acesso permitido até meia hora antes do fechamento.
Serviço
Cerimônia de abertura da exposição “Encantarias da Liberdade Indígena no Ceará”
28 de março de 2026 (sábado)
Horário: a partir das 15h
Av. Barão de Studart, 410
Local da mostra (Galeria da Liberdade, Av. Barão de Studart, 505).