40 municípios apresentam perda de safra superior a 90%

4 de junho de 2012

São João do Jaguaribe e Solonópole são os dois municípios cearenses que apresentam perda de 100% na safra, isso no período de janeiro a 25 de maio de 2012. Outros 38 tiveram perdas superiores a 90%, como Quixeramobim (98,87%); Quixeré (98,97%); Tabuleiro do Norte (98,62%); Novo Oriente (98,11%); Independência (97,36%) e Crateús, com 97,34%. A maioria dos  municípios se concentra na região do Sertão dos Inhamuns, Sertão Central e Jaguaribe. Os dados estão no IPECE/Informe, nº 33 – junho de 2012, que foi divulgado nesta segunda-feira (4), pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

 

O documento, que tem título “Condições de Vulnerabilidade dos Municípios em Situação de Emergência em 2012”, foi elaborado com a colaboração da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (DAS) e Funceme. O estudo analisa as principais variáveis que afetam os municípios em situação de emergência no Estado, nas vertentes climáticas, agrícolas e de assistência social. Ele foca a situação dos municípios cearenses trazendo à discussão os indicadores que refletem a insegurança e risco social da população rural para os 168 municípios que tiveram a decretação do estado de emergência pelo Governo do Ceará, dia 28 de maio.

 

De acordo com Klinger Aragão Magalhães, que elaborou o estudo, juntamente com Cleyber Nascimento de Medeiros, ambos do Ipece, o resultado mostra que os municípios das macrorregiões do Sertão Central e Sertão dos Inhamuns se destacam com os maiores índices de vulnerabilidade, especialmente os municípios de Itatira, Piquet carneiro, Deputado Irapuan Pinheiro, Caridade, Madalena, Independência, Milhã, Crateús, Ibaretama, Penaforte, Solonópole, Arneiroz, Saboeiro, Tauá e Umari.

 

Para calcular o índice de vulnerabilidade dos municípios, o documento fez uma ampla análise dos indicadores de produtividade agrícola por hectare; utilização da área colhida com culturas de subsistência; índice de distribuição de chuvas; índice de aridez; desvio normalizado das chuvas; percentual de domicílios com abastecimento de águas adequado; proporção de famílias beneficiadas com Bolsa-Família; número de vagas do seguro safra por 100 mil habitantes rurais e perda da safra. O documento pode acessado no www.ipece.ce.gov.br.

 

A perda da safra, segundo Klinger Aragão, merece ser destacada dentre as demais variáveis, dada a sua relação direta com a vulnerabilidade da população rural, em função de ser um indicativo de segurança alimentar, o que a levou a ser uma variável chave da definição dos 168 municípios com decretação de estado de emergência. “Desses, 20 apresentam perdas superiores a 95%; dois municípios, São João do Jaguaribe e Solonópole, com perdas de 100% e, ainda, 40 municípios registram no período perdas superiores a 90%”.

 

As demais variáveis analisadas pelo documento do Ipece apontam que o município de Monsenhor Tabosa é o pior no quesito produtividade agrícola por hectare, enquanto Miraíma figura com a maior participação das culturas de subsistência sobre a área total a ser colhida, indicando maior risco de vulnerabilidade para a produção agrícola. O menor percentual de famílias beneficiadas no Programa Bolsa-Família foi registrado no município de Santa Quitéria.

 

Já o município de Independência obteve o maior desvio percentual negativo das precipitações que resultou no menor valor para o índice de distribuição de chuvas, representando maior irregularidade pluviométrica, que se desdobra em outros efeitos. Irauçuba, por sua vez, apresentou o menor índice de aridez, indicando, também, insuficiência de precipitações para o desenvolvimento da agricultura. Klinger Aragão observa que, pelo índice sintético de vulnerabilidade, a situação de emergência mais explícita está nas regiões do Sertão Central e Sertão dos Inhamuns.

 

Redução dos Ricos

 

As ações implementadas pelo Governo nas últimas décadas reduziram o risco de vulnerabilidade da população, sobretudo rural, afirma Klinger Aragão, muito embora sejam insuficientes para impedir o quadro de fragilidade social em um ano com características climáticas de 2012, que “repercute socialmente, provocando elevadas pardas de safra e redução de renda”. A região nos últimos anos – frisa – tem experimentado avanços socioeconômicos significativos relacionados a medidas de curto prazo, como a transferência de renda, e à implantação de infraestrutura econômica e social para atender às demandas presentes e viabilizar o desenvolvimento da região.

 

Ele destaca, ainda, o investimento no abastecimento hídrico, rodovias, portos e aeroportos, que, em conjunto com a ampliação dos serviços básicos de saúde e investimentos em educação, viabilizou a instalação de indústrias e estimulou o desenvolvimento do agronegócio na região. Do ponto de vista social, criou-se uma rede de assistência, tendo como elemento básico e essencial a criação de um grande banco de dados que permitiu a organização do cadastro de todas as famílias em condições de insuficiência de renda.

 

04.06.2012

Assessoria de Imprensa do Ipece

Pádua Martins (padua.martins@ipece.ce.gov.br / 85 3466.3101.3508)