Ceará é o sexto em relações homoafetivas do Brasil

21 de junho de 2012

O Ceará ocupa a sexta posição, em termos absolutos, no ranking dos estados com maior número de pessoas (um total de 2.620) responsável pelos domicílios tendo com cônjuge alguém do mesmo sexo. Mas, proporcionalmente, passa para o quinto lugar, significando que 0,17% dos cônjuges do Ceará são do mesmo sexo da pessoa de referência do domicílio. Em relação ao Nordeste, o Estado é, proporcionalmente, o primeiro, mas o segundo em números absolutos, sendo superado pela Bahia. Os dados acabam de ser divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado.

 

No Brasil foram identificadas, oficialmente, mais de 60 mil pessoas responsáveis pelo domicílio tendo com cônjuge alguém do mesmo sexo. E, de acordo com os dados do IPECE/Informe (nº 35 – junho), que tem como título “A Composição das Famílias no Ceará – Identificação das Relações Homoafetivas”, a região Sudeste tem o maior número, com 32,2 mil pessoas; seguida pelo Nordeste, com 12,1 mil; Sul, com 8,0 mil; Centro-Oeste, com 4,1 mil, e o Norte, com um total de 3,4 mil. O trabalho foi elaborado com base no Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Em 51 dos 184 municípios cearenses não ocorreram declaração de relações homoafetivas. E é em Fortaleza onde existe a maior da população vivendo este tipo de união, com um total de 1.560 das 2.620 pessoas em todo o Ceará. No Estado, o número de mulheres com cônjuges é maior tanto com outras mulheres, como também quando comparado com o número de homens com cônjuge de sexo diferente. Nos outros quatro e únicos municípios do Estado com população acima de 150.000 habitantes é também onde se concentram o maior contingente de relações homoafetivas.
De acordo com Raquel Sales, responsável, juntamente com Daniel Suliano, pelo trabalho – ambos integrantes da Diretoria de Estudos Sociais (DISOC) do IPECE -, os resultados do estudo não representam crescimento ou queda nas estatísticas de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo devido ao ineditismo da base de dados, mas sim o reconhecimento social nas estatísticas oficiais da existência de uma nova composição familiar. Ela observa que o Estado de São Paulo é o que apresenta o maior número de cônjuges do mesmo sexo, com 16.872 (28,11%); seguido do Rio de Janeiro 10.170 (16,95%); Minas Gerais 4.098 (6,83%), Rio Grande do Sul 3.661 (6,10%) e Bahia 3.029 (5,05%).

 

O trabalho também faz uma análise de classe de renda das pessoas (de 10 anos ou mais), segundo a condição de cônjuge de mesmo sexo e compartilhamento da responsabilidade. No Ceará, por exemplo, nas classes de rendimento de mais de 10 salários mínimos a 20 salários e na classe de mais de 20 salários mínimos, a proporção de cônjuge de mesmo sexo é de 1,6% e 0,73%, respectivamente, enquanto os cônjuges de sexo diferente nessas mesmas classes de rendimento apresentam uma proporção de 0,53% e 0,17%.  Já nas classes de rendimento sem rendimento e na de até meio salário mínimo – observa Raquel Sales – os cônjuges de mesmo sexo apresentam uma proporção de 27,4% e 9,2%, respectivamente, enquanto os cônjuges de sexo diferente apresentam uma proporção, nestas mesmas classes de rendimentos, de 30,8% e 23,6%.

 

No Ceará, o número de pessoas responsáveis dos domicílios do sexo feminino (937.874) é menor quando comparada aos de homens (1.432.596), ou seja, a maior parte das famílias no Ceará ainda apresenta os homens como responsáveis pelos domicílios. Mas o número de mulheres em união estável com outras mulheres é maior (1.749) quando comparado ao de homens com outros homens (871) da mesma forma que o número de mulheres cônjuge de sexo diferente é maior (1.208.349) em relação ao número de homens cônjuge de sexo diferente (376.429).

 

21.06.2012

Assessoria de Imprensa do Ipece

Pádua Martins (padua.martins@ipece.ce.gov.br / 85 3101.3508)