Guia orienta sobre terapia antirretroviral para pacientes portadores de HIV

18 de janeiro de 2013

A partir da constatação de que “a adesão ao tratamento sobressai entre os maiores desafios de atenção às pessoas vivendo com o HIV”, a enfermeira do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), Daniele Mary Silva de Brito, elaborou o Guia de cuidados aos pacientes em uso de terapia antirretroviral, em lançamento pela Secretaria da Saúde do Estado. Destinado prioritariamente aos profissionais de saúde que trabalham com aconselhamento e adesão de pacientes ao tratamento da aids com antirretrovirais, o Guia é um passo-a-passo da terapia antirretroviral (TARV) que espera “contribuir para a melhoria na qualidade de vida das pessoas com HIV/aids e reafirmar a importância da adesão ao tratamento em seus variados aspectos”, conforme ressalta a autora.

 

A terapia antirretroviral impede a multiplicação do HIV em diferentes etapas de produção no organismo. O tratamento consiste na combinação de drogas que ajudam a restabelecer a imunidade do organismo, evitando a manifestação das doenças oportunistas. Contudo, o uso prolongado dos antirretrovirais pode induzir a efeitos colaterais marcantes, fazendo com que muitos pacientes tenham dificuldade de adesão ou se recusem a continuar com a terapia. Prevenir e vencer a resistência é tarefa dos profissionais de saúde, com aconselhamento e orientação segura. O paciente precisa relatar todas as dificuldades enfrentadas para que a equipe que o acompanha possa tentar solucioná-las e, assim, propiciar maior adesão ao tratamento.

 

No Guia de cuidados aos pacientes em uso de terapia antirretroviral, os três primeiros capítulos fazem a apresentação dos antirretrovirais e reforçam a necessidade do tratamento da infecção. Nos capítulos 4 e 5, a autora discute a prevenção da transmissão vertical, da mãe infectada pelo HIV para o filho durante a gestação, parto ou pós-parto. O capítulo 6 informa sobre as possibilidades de tratamento direcionado ao HIV, especificando doses e efeitos colaterais da TARV. O capítulo 7 descreve os cuidados com o desenvolvimento das doenças de maior ocorrência entre as pessoas vivendo com HIV, apresentando orientações sobre profilaxias das doenças oportunistas. O capítulo 8 apresenta um modo de avaliar o risco cardiovascular em função da terapia antirretroviral.

 

O Brasil garante acesso universal e gratuito à terapia antirretroviral. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30 mil pessoas iniciam o tratamento antirretroviral no país a cada ano. Das 530 mil pessoas que vivem com HIV no país atualmente, 135 mil desconhecem sua situação e cerca de 30% dos pacientes ainda chegam ao serviço de saúde tardiamente. No Ceará, desde o primeiro caso conhecido em 1983, foram notificados 11.759 casos de aids até outubro de 2012. No ano passado, com dados ainda preliminares, foram confirmados 429 casos de infecção por HIV no Estado. De acordo com o boletim epidemiológico nacional, o coeficiente de mortalidade por aids no Ceará acumulado até 2011era de 3 óbitos por 100 mil habitantes, o terceiro menor do Nordeste e quarto menor do Brasil. “A infecção por HIV hoje é uma doença crônica que não mata, desde que se faça o tratamento”, reforça Daniele de Brito.

 

Atualmente, no Ceará, funcionam 18 serviços de atendimento especializado a pacientes com HIV/aids. São nove serviços em Fortaleza, funcionando no Hospital São José, Hospital Geral de Fortaleza, Hospital Universitário Walter Cantídio, Hospital Distrital Nossa Senhora da Conceição, Hospitais Distritais Gonzaga Mota da Messejana e José Walter, Hospital Infantil Albert Sabin, Centro de Especialidade Médica José de Alencar e Núcleo de Atenção Médico Integrada da Unifor, e nove no interior, nos municípios de Maracanaú, Juazeiro do Norte, Russas, Limoeiro do Norte, Sobral, Aracati, Quixadá, Cascavel e Brejo Santo.

 

18.01.2013

 

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