Primeiros clones ovinos vivos no Brasil foram produzidos na Uece

21 de maio de 2014

Uma pesquisa apoiada pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) permitiu, no último final de semana, o nascimento de dois clones ovinos da raça Santa Inês na Fazenda Haras Chicote, localizada em Aquiraz. Os clones são duas lindas borregas, resultantes de um projeto de cooperação científica internacional entre pesquisadores da UECE e da McGil University, em Montreal no Canadá. Na UECE, o projeto é coordenado pela professora Ana Paula Ribeiro Rodrigues e pelo professor José Ricardo de Figueiredo, enquanto que na Universidade canadense, a coordenação é dos professores Vilceu Bordignon e Hernan Baldassarre.

 

A colaboração científica entre os grupos de pesquisa cearense e canadense já existe desde 2008 (pós-doutorado da Profa. Ana Paula apoiado pelo CNPq no Canadá). No entanto, em 2012 com o apoio financeiro da FUNCAP, foi possível consolidar a parceria, cujo projeto viabiliza missões de trabalho dos pesquisadores no Brasil e Canadá. Dessa forma, em dezembro de 2013, os professores Bordignon e Baldassarre, durante visita à UECE, trabalharam intensamente com a equipe cearense, o que resultou no nascimento dos clones. Segundo a professora Ana Paula, dentre outros objetivos, o projeto visa uma análise da capacidade de desenvolvimento do oócito (óvulo) submetidos às técnicas de reprodução assistida como a transferência nuclear (TN), bem como a capacidade de reprogramação celular na raça Santa Inês, originada e explorada nas condições do Nordeste brasileiro.

 

A grande diferença entre esse resultado e daquele obtido por pesquisadores da USP, em 2007, é que os clones produzidos no Ceará (UECE) estão vivos e com bastante vitalidade, ao contrário do clone também da espécie ovina produzido naquela universidade, que sobreviveu apenas por poucos minutos após o nascimento. Os clones produzidos na UECE foram originados a partir de células da pele de uma ovelha adulta de alto valor genético, das quais, por meio da técnica de TN, foram obtidos embriões. Estes foram transferidos para ovelhas receptoras ou barrigas de aluguel. Após 149 e 150 dias de gestação, duas ovelhas pariram as duas borregas clones, sendo uma de parto natural e outra de cesariana, cuja cirurgia foi realizada pelos médicos veterinários Michael Medeiros e Cléssio Moreira. Hoje as borregas estão com 5 e 4 dias vida, e com excelente estado de saúde.

 

Embora, a técnica de TN tenha sido empregada pelos pesquisadores do Canadá, o trabalho foi plenamente realizado na UECE (Unidade de Pesquisa Transferência Biotecnológica e Inovação – UPTBI e Laboratório de Manipulação de Oócitos e Folículos Ovarianos Pré-antrais – LAMOFOPA), e Haras Chicote, com a participação efetiva de bolsistas pós-docs do Lamofopa, como Deborah Magalhães (PDJ/CNPq), Rodrigo Tenório (PNPD/CAPES), Valdevane Araújo (PDJ/CNPq), Luis Oliveira (PNPD/CAPES), Giovanna Rodrigues (PNPD/CAPES) e Jamily Bruno (PDJ/CNPq). Isso demonstra que o êxito de todo esse trabalho é devido ao esforço conjunto de uma grande equipe sintonizada no objetivo de trazer grandes resultados, seja para a ciência, seja para o setor produtivo.

 

A professora Ana Paula enfatiza que o projeto foi realizado com êxito total, especificamente, no que se refere à capacidade de reprogramação celular. Em agosto do ano passado, a referida professora esteve na McGill University acompanhando os trabalhos dos professores Bordignon e Baldassarre, no tocante ao estabelecimento das linhagens celulares (células que originam o clone). Em outubro do mesmo ano, a equipe na UECE iniciou a obtenção de biopsias de pele e cultivo das células da ovelha clonada e dezembro também de 2013, o trabalho de TN, propriamente dito foi realizado pelos pesquisadores da universidade canadense aqui no Ceará. Portanto, a obtenção das duas borregas clonadas foi um sucesso absoluto.

 

Esse resultado tem um grande valor do ponto de vista científico e acadêmico, haja vista a participação efetiva de professores/pesquisadores e pós-graduandos dos programas de pós-graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV) e em Biotecnologia (PPGB-Renorbio). A professora Ana Paula destaca ainda, o grande impacto que essa pesquisa trouxe para o setor produtivo, que foi a transferência de tecnologia até os produtores. Hoje, os criadores Amilcar Silveira e Moacir Cavalcanti, do Haras Chicote, possuem em seus rebanhos duas cópias geneticamente idênticas de uma fêmea adulta de alto valor genético e econômico. Isso representa a disponibilidade de mais uma forma de preservação e perpetuação do patrimônio genético, é a Tecnologia avançada chegando até o produtor.

 

Ana Paula afirma que esse trabalho não teria sido possível sem o apoio financeiro dos órgãos de fomento (FUNCAP, CNPq e CAPES), bem como o apoio da FAVET, na pessoa do Prof. Célio Pires Garcia; dos programas de pós-graduação, PPGCV (Professores Dárcio Ítalo e Davide Rondina), PPGB-Renorbio (professores José Ferreira Nunes, Paula Lenz e Selene Maia de Morais); do Lamofopa (Prof. Ricardo Figueiredo); dos produtores (Amilcar Silveira e Moacir Cavalcanti) cederam seus animais e propriedade para a execução desse experimento; dos professores Marcelo Bertolini e Luciana Bertolini da UNIFOR que contribuíram com apoio logístico e, finalmente toda a equipe de pós-doctor do Lamofopa que auxiliaram de forma brilhante os pesquisadores do Canadá aqui na UECE.

 

20.05.2014

Assessoria de Imprensa da Uece

Fátima Serpa (fatima.serpa@uece.br / 85 3101.9605)