UNESCO – Açude Cedro indicado a Patrimônio Mundial

1 de abril de 2015

O Açude Cedro pode receber o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A solicitação foi feita pelo governo brasileiro, por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além do reservatório, estão na Lista Indicativa brasileira os Geoglifos do Acre(AC), Teatros da Amazônia(AM, PA), Itacoatiaras do Rio Ingá (PB), Sítio Roberto Burle Marx (RJ) e o Conjunto de Fortificações do Brasil (AP, AM, RO, MS, SP, SC, RJ, BA, PE, RN). Devido à sua importância histórica e sua beleza natural o Cedro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1977. Atualmente, a Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (Cogerh), vinculada da Secretaria dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará (SRH) realiza o monitoramento qualitativo e quantitativo das águas do reservatório.

 

Na última atualização da Lista Indicativa pela Unesco, em 2014, três bens culturais brasileiros foram incluídos na Lista: Cais do Valongo(Rio de Janeiro/RJ), a Vila Ferroviária de Paranapiacaba(Santo André/SP) e o Mercado Ver-o-Peso (Belém/PA).

 

A Lista Indicativa funciona como um instrumento de planejamento de preparação de candidaturas, assemelhando-se a um inventário, e é composta pela indicação de bens culturais, naturais e mistos, apresentados pelos países que ratificaram a Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco. Essa iniciativa pode ensejar a participação de gestores de sítios, autoridades locais e regionais, comunidades locais, ONGs e outros interessados na preservação do patrimônio cultural e natural do país.

 

O CEDRO – O Açude do Cedro foi a primeira grande obra hídrica realizada pelo Governo Brasileiro. A ordem de construção foi dada por D. Pedro II em decorrência do grande impacto social provocado pela seca de 1877/1879.

 

O Governo Imperial solicitou ao engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha e a outros técnicos estudos de meios para o combate aos efeitos das secas. Ficou então decidida a construção de barragens nos leitos dos rios para barrar as águas pluviais. O próprio Ernesto Cunha indicou o Boqueirão do Cedro como local selecionado. Em 1880, o engenheiro britânico Jules Jean Revy confirmou a indicação.

 

No ano de 1882 o primeiro projeto foi feito pelo próprio Jules Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Às vésperas do início das obras, ocorre a proclamação da república e a consequente retirada de Revy. Após modificações no projeto realizadas em 1889 pelo engenheiro Ulrico Mursa, da Comissão de Açudes e Irrigação (atualmente DNOCS), as obras foram finalmente iniciadas em 15 de novembro de 1890. Sua conclusão, após várias interrupções, foi em 1906, já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro, que assumiu a direção da construção em 1900.

O período entre o primeiro projeto e a inauguração foi de 25 anos e suas obras contaram, em grande parte, com o emprego de mão-de-obra dos flagelados da seca. Construído sobre o leito do Rio Sitiá, tem capacidade de 126 milhões de metros cúbicos.

 

O açude teve base em alguns monumentos romanos no comando de Julio Caesar (Julio César). Possui quatro barragens: a Principal, a do Sul,a da Lagoa do Forges e a do Vertedouro. Estas barram as águas do rio Sitiá e dos riachos Macambira, Verde, do Socorro, do Cabo, Guaribas, Caracol e entre outros riachos da região.

 

A grade de ferro que compõe a varanda, sobre a barragem Principal foi totalmente importada da Inglaterra e a cerâmica, de Portugal.

 

O superdimensionamento da barragem em relação ao potencial da bacia hidrográfica faz com que as sangrias sejam raras. Em toda sua história ocorreram apenas seis. A primeira registrada foi em 1924, depois 1925, 1974,1986 e 1989.

 

Outra causa apontada para as poucas sangrias está no fato de que um grande número de pequenos açudes construídos a montante impedem que a água chegue até a barragem. Em contrapartida só secou totalmente nas secas de 1930, 1932, 1950 e de 1999.

 

O Açude do Cedro dispõe de locais para banho, pescaria e para prática de esportes náuticos, além de ser a fonte de água para uma extensa rede de canais para irrigação, a primeira construída no Ceará. O açude também é importante fonte hídrica para o abastecimento do município.

 

A partir de praticamente toda a sua extensão é possível ver a Pedra da Galinha Choca. A composição Açude do Cedro/Pedra da Galinha Choca forma a mais conhecida paisagem turística de Quixadá.

 

01.04.2015

 

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