Pefoce proporciona reencontro entre mãe e filha após 25 anos

26 de fevereiro de 2016

“Eu tenho o sonho de reencontrar minha mãe biológica”. Este foi o pedido feito por uma mulher à Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). E deu certo! Com o auxílio das tecnologias oferecidas pelo órgão, mãe e filha se reencontraram na tarde de hoje (26), depois de 25 anos.

Nascida no Ceará e naturalizada francesa – após ter sido adotada e levada para a França – Celine Jacquot (25), com o auxílio do pai adotivo, entrou em contato com a Pefoce, no último mês de novembro, e disse que tinha o desejo de rever a mãe. As duas não se viam desde a maternidade, devido à falta de condições da mãe para criar a filha. A adoção foi feita de acordo com a Lei, com a guarda cedida e com o devido registro no cartório do município de Canindé.

Celine tinha a informação que a mãe era do Ceará. Além do nome da genitora, ela forneceu à Pefoce os nomes dos avós e um possível endereço, na cidade de Itatira, onde residia na época da adoção. O policial civil Humberto Quezado, responsável pelo caso na Pefoce, aponta o fornecimento de dados como esses como essenciais para a procura. “Informações como nome, tatuagens, cicatrizes ou até mesmo idades aproximadas facilitam muito a triagem durante a busca”, salienta.

Reencontro 1Foi achada!
Com as informações em mãos, os profissionais da Pefoce fizeram buscas no cadastro civil e compararam os dados de algumas pessoas até chegarem a uma mulher identificada como Maria das Graças de Sousa, com aproximadamente 50 anos. Ela havia feito sua carteira de identidade pelo antigo órgão expedidor Secretaria da Segurança Pública (SSP). A mulher ainda reside em Itatira. Então, a Pefoce entrou em contato com a Secretaria de Assistência Social do município para viabilizar a localização de Maria das Graças.

O endereço foi achado: um assentamento na zona rural com difícil acesso por uma estrada carroçável. Antes da chegada dos profissionais da Pefoce, ocorrida em janeiro, uma assistente social do município iniciou um contato com a suposta mãe biológica, auxiliando na troca de informações. “Quando chegamos, a dona Maria já saiu da casa sorrindo. Ela sabia o motivo da nossa presença”, relembra Humberto. Para a comprovação efetiva da maternidade, ainda restava um último teste: a comparação das digitais. O agente de segurança coletou a digital do polegar direito dela e comparou com a identidade que a mesma tinha feito há alguns anos. Deu positivo, Maria das Graças de Sousa é a mãe biológica de Celine Jacquot.

Quando soube que seu sonho seria realizado, Celine começou a se programar para a viagem. Ela retornou pela primeira vez ao Brasil, acompanhada do noivo o francês Darmou Diallo especialmente para o reencontro, que ocorreu hoje (26) na casa da mãe biológica. Sua mãe, que é agricultora, ainda teve outros 14 filhos, desses, dois foram cedidos à adoção.

Para Maria das Graças, o dia de hoje ficará marcado na memória. “Eu sempre esperei esse momento. Quando ela nasceu, não tinha condições de ficar com ela. Dei com muita pena. Mas agora ela está feliz e eu estou feliz demais, com o coração quase saindo pela boca. Toda a família está feliz. Agora é só felicidade. Ela parece com a minha neta”, comemorou a mãe biológica.

Ao chegar à residência da mãe, o que Celine encontrou foi uma casa simples e cheia de pessoas com expectativas em saber como era seu rosto, sua voz. Ela foi logo recebida por um dos irmãos e, em seguida, por Dona Maria das Graças. Com idiomas diferentes, as falas não foram necessárias. Desta vez, o abraço e os olhares falaram mais alto. Agora mãe e filha querem manter o contato. Celine tem pretensões de morar no Brasil, na Capital do Ceará – Fortaleza para poder inclusive, ajudar a mãe. “Eu sempre tive curiosidade de saber como eram os traços do rosto da minha mãe. Quero manter o contato com ela, poder ajudar. Espero que ela possa ir à França conhecer como é a minha vida. Também estou muito feliz de encontrar meus imãos”, se emocionou.

Pefoce – papiloscopia
O reencontro entre mãe e filha foi possibilitado pela papiloscopia (ciência da identificação humana pela impressão digital). É um procedimento rápido, de comparação de digitais. A Pefoce tem o projeto de fazer o uso da ciência de forma mais intensa, para ajudar pessoas a se reencontrarem.

Segundo Humberto, o objetivo é criar um banco de dados de pessoas que estão desaparecidas ou que perderam o contato com familiares e, a partir de informações preliminares, reencontrá-las. O projeto está em fase de finalização, com a aquisição de equipamentos e materiais. Será um novo método de busca a pessoas.

“O projeto tem um caráter humanitário e social. A sensação de poder ajudar a proporcionar esse encontro foi realmente de dever cumprido. Enquanto profissional e ser humano. Sobretudo, poder ajudar uma filha que há muito tempo procurava pela sua mãe e vice versa. Imagina o quanto é angustiante ter um parente e não saber onde ele está! A nossa intenção é de proporcionar esse reencontro, de dar uma resposta. A Perícia Forense tem se preocupado com casos dessa natureza. É uma intenção do órgão e minha, enquanto servidor público, permanecer com o serviço que já é prestado com os cadáveres e desconhecidos e ampliá-lo a pessoas desaparecidas. Para que dessa forma, momentos bonitos que nós pudemos presenciar hoje sejam cada vez mais comum”, reforça o policial.

26.02.2016

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