Diversidade: a Educação com respeito e inclusão

17 de maio de 2016

No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Desde então, este dia se tornou símbolo da luta por direitos humanos, pela diversidade sexual e contra a violência e o preconceito. Uma das principais formas de combate à homofobia é a educação, por meio do diálogo entre todos os atores da escola sobre as causas e efeitos do preconceito. A Secretaria da Educação do Ceará oferece, sob demanda, formações aos professores da rede estadual sobre formas de abordar o tema no dia a dia da escola e em sala de aula.

A Coordenação de Diversidade e Inclusão Educacional da Seduc realiza oficinas pedagógicas sensibilizando educadores a debater sobre a diversidade humana com os seus alunos, reduzindo, assim, os índices de bullying homofóbico nas escolas. A carga horária inicial é de oito horas e tem como público­ alvo os participantes do Projeto Professor Diretor de Turma (PPDT), gestores escolares e técnicos das Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (Crede) e Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor).

“Uma pesquisa promovida pela USP apontou que, para 13% dos estudantes, a escola foi o primeiro locus de discriminação e grande parte dela motivada por questão de gênero ou de orientação sexual. Já realizamos 30 oficinas com mais de 1.000 educadores,” afirma Homero Souza, técnico da Seduc.

Diversidade na sala de aula

Desde cedo a vaidade aflorou em seus traços, o corpo masculino, ainda jovem, não estava em sintonia com o que a mente e o coração sentiam. Na busca por encontrar uma forma de encaixar os desejos e a imagem que via no espelho, aos 13 anos, pela primeira vez, Erikah Alcântara, vestiu­-se com roupas femininas. Ao olhar­-se, ela sentiu que estava “completa”, no sentido de reconhecer­-se plenamente no mundo como uma mulher. Apaixonada pela arte de aprender e ensinar, ela foi em busca do que desejava na vida: trilhar o seu caminho através do estudo e da educação. Hoje, Erikah é graduada em Administração, Pedagogia e Licenciatura em Matemática. Tem pós-graduação em Gestão Escolar e está cursando Letras/Inglês.

O desejo de ensinar sempre esteve presente em seus pensamentos. Mesmo quando cursava Administração ela já sonhava em liderar uma sala de aula. Ela trabalha em duas escolas, a EEF Manoel Rosendo Freire, em Pacatuba, com turmas do Ensino Infantil e Fundamental. Lá, assumiu a coordenação desde o final do mês de março. A outra, fica localizada em Maracanaú, a EEFM Desembargador Raimundo de Carvalho Lima, onde é professora de Matemática e trabalha com o Ensino Médio há cerca de dois anos.

A diretora da escola de Pacatuba, Heloísa Tavares, relata como considera importante o trabalho de Erikah para a escola. “Eu ‘briguei’, no sentido de querer muito que ela viesse para a nossa escola, porque a Erikah é uma pessoa super competente e amiga. Além de tudo, a nossa escola é considerada como o lugar da diversidade, pois aqui não toleramos preconceito de nenhuma forma. Todos, alunos e funcionários, são recebidos com respeito”, afirma a diretora.

Comunicativa, sorridente e dona de um carisma contagiante, Erikah sempre busca esclarecer qualquer dúvida de seus alunos sobre a temática da homofobia e o preconceito de forma geral. A sua condição sexual, nunca causou nenhum episódio negativo em sala de aula, ao contrário, foi um impulso para os alunos refletirem sobre o respeito às diferenças. “Na primeira vez que eu entrei em uma sala de aula recebi alguns olhares questionadores, mas depois eles foram se adaptando e me conhecendo. Me dou super bem com os meus alunos, nunca houve nenhum conflito entre nós”.

Durante a sua trajetória, Erikah teve uma força especial que foi o diferencial em cada escolha que ela fez ao longo da vida. Sua mãe, Dona Lourdes, que desde o primeiro episódio da descoberta sexual de sua filha, deixou claro que o amor existente entre elas não seria modificado por nada. Tudo aconteceu quando Erikah foi a uma festa com trajes femininos, Dona Lourdes não sabia de nada. Na manhã do dia seguinte, ela ia entrando em casa, sorrateiramente, quando sua mãe a flagrou. As duas se olharam e Dona Lourdes falou: “você está lindo!”.

O elo entre mãe e filha influenciou as escolhas de Erikah sobre o seu futuro, sempre incentivada pela mãe a estudar, ela nunca esmoreceu diante de nenhuma dificuldade, por isso acredita tanto que a educação pode modificar o cenário da vida de qualquer pessoa. “Muitos jovens, principalmente os que moram na periferia, tem uma realidade marcada pela luta contra o preconceito e para melhorar de vida. Por isso é importante discutir gênero e sexualidade em sala de aula, para que essas gerações cresçam aprendendo a respeitar os direitos e escolhas do próximo”. Ela faz parte de movimentos sociais de combate a homofobia, como a Associação dos Travestis no Ceará (Atrac) e o Grupo de Amor e Prevenção Pela Vida (Gap­Vida).

17.05.2016

Assessoria de Comunicação da Seduc
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