Albert Sabin garante assistência a crianças com microcefalia

10 de junho de 2016

Entre outubro de 2015 e maio de 2016, o Ceará teve 490 notificações de possíveis casos de microcefalia. Desse total, 212 foram encaminhados para acompanhamento no Hospital Infantil Albert Sabin, da rede pública do Governo do Estado. Atualmente, das 73 crianças que têm microcefalia e fazem tratamento no Albert Sabin, 72 tiveram o diagnóstico relacionado ao vírus zika, sendo 61% meninas e 39% meninos.

Das 212 crianças encaminhadas para o hospital, 71 tiveram a microcefalia descartada; outros três bebês vieram a óbito e 65 seguem sob investigação. As mães têm em média 25,7 anos de idade e, em 58% dos casos, são mães de primeira viagem. Cerca de 51,8 % das mães registraram sintomas de zika vírus durante a gestação e somente em 11% dos casos a microcefalia foi confirmada nas ultrassonografias.

Os atendimentos a crianças com microcefalia no Hospital Albert Sabin iniciaram em 23 de novembro de 2015. Sete meses depois, já é possível afirmar que os problemas mais graves apresentados pelos pacientes estão relacionados ao desenvolvimento neuropsicomotor. “Quando a estimulação precoce ocorre cedinho, nos primeiros meses de vida, ele tem um desenvolvimento melhor”, afirma a pediatra Sáile Kerbage.

Outros pacientes, no entanto, apresentam complicações diferentes e mais graves após o nascimento. É o caso do pequeno Átila, que tem apenas dois meses de vida, um deles vivido na internação do Albert Sabin. “Eu só descobri [a microcefalia] quando ele nasceu, o susto foi enorme. Durante a gestação era tudo normal, fiz o pré-natal até os nove meses, nove ultrassonografias. Era sempre tudo perfeito”, diz a mãe do menino, Charlene Félix.

Átila tinha dificuldades para se alimentar quando nasceu, sofrendo engasgos com regularidade. Para evitar infecções, foi necessário realizar uma gastrostomia. Apesar do procedimento, em menos de um mês o bebê desenvolveu uma pneumonia e se encontra internado desde então. “A nossa vida para. A gente tem que parar para poder cuidar. Eu tenho mais dois filhos, um menino de 7 anos e uma menina de 4. Mas eu estou praticamente morando no hospital, eu passo o tempo todo aqui com ele”, fala a mãe.

As consultas a bebês com microcefalia encaminhados para o Albert Sabin, por meio da Secretaria da Saúde do Estado, ocorrem normalmente ao longo da semana, assim como os exames. Aqueles com diagnósticos mais graves são reavaliados mensalmente. Já os pacientes estáveis têm reavaliações trimestrais, enquanto a avaliação oftalmológica é semestral.

Todos os pacientes atendidos no Hospital Infantil Albert Sabin são encaminhados para os serviços de referência locais em estimulação precoce. As terapias acontecem em 10 das 19 policlínicas regionais do Estado (Caucaia, Barbalha, Russas, Sobral, Baturité, Camocim, Tianguá, Crateús, Limoeiro e Pacajus), no Núcleo de Atenção Médica integrada (Nami) da Universidade de Fortaleza e no Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep).

Microcefalia no Ceará

Conforme o boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado, divulgado na última terça-feira (7), o Ceará tem 66 casos de microcefalia confirmados neste ano. Dezoito bebês morreram por infecção congênita, dos quais 10 óbitos com identificação do vírus zika em tecido fetal. Transmissor do vírus da zika, que pode causar a microcefalia, o Aedes aegypti é também vetor da dengue e febre chikungunya.  

10.06.2016

Assessora de Comunicação do Hias
Diana Vasconcelos
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