Projeto ‘Jovem Explorador’, da Escola Menezes Pimentel, será exposto em conferência na China

22 de agosto de 2016

A noção de cidadania se constrói, entre outros fatores, pela relação de identidade estabelecida com o local em que se vive. Conhecer a história da região, as paisagens naturais, os hábitos e a cultura da população, por exemplo, ajudam a fortalecer no indivíduo a ideia de respeito e de valorização da própria terra. No município de Pacoti, situado no Maciço de Baturité, uma iniciativa inovadora, desenvolvida na Escola Menezes Pimentel, vem transformando a realidade do lugar, por meio da atuação de estudantes do Ensino Médio, que empreendem uma expedição em busca de conhecimento, envolvendo diversas áreas do saber.

O projeto, denominado Jovem Explorador, consiste na realização de excursões científicas, percorrendo a região do Maciço e coletando informações sobre cultura, fauna e flora, entre outras características. A ação irá representar o Brasil no evento internacional “Be the Change Conference”, em Pequim, na China, em dezembro próximo. Trata-se de um encontro anual que reúne propostas transformadoras da atividade escolar ao redor do mundo. Participarão da viagem a estudante Maria da Conceição Soares, de 17 anos, e o professor idealizador da iniciativa, Levi Jucá.

Antes disso, o projeto foi um dos cinco premiados pelo Desafio Criativos da Escola, promovido pelo Instituto Alana, de São Paulo. O destaque nesta competição rendeu à escola a credencial para apresentar a ideia na China.

Além disso, o “Jovem Explorador” foi agraciado com o VI Prêmio ibero-Americano de Educação e Museus, promovido pelo Programa Ibermuseus/IBRAM, concorrendo com outros 147 projetos de 12 países. A experiência recebeu 15 mil dólares. foi vencedor, ainda, das etapas regional e estadual da IX Feira de Ciências e Cultura do Ceará, promovida pela Secretaria da Educação (2015), e  credenciado para participar da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia, em Novo Hamburgo (RS), em outubro próximo.

Descobrimento

“Nós temos uma parte da Mata Atlântica e poucas pessoas sabem disso. Temos muitas riquezas em nosso município que não existem em lugar nenhum”, observa Maria da Conceição. “A cultura e o conhecimento local, aos poucos, têm sido esquecidos. Esse projeto deu a nós a oportunidade de retomar tudo isso, de ter um novo olhar para nossa história”, explica a jovem, que cursa a 3ª série na Escola Menezes Pimentel.

Conceição revela, ainda, que deseja continuar contribuindo com a atividade, após entrar na universidade. “Quero fazer algum curso que me permita continuar dando suporte ao Jovem Explorador”, conclui.

Conforme lembra o professor Levi Jucá, a ação teve início em setembro de 2014, e foi inspirada em uma expedição empreendida no século XIX, a mando de D. Pedro II, com o objetivo de desbravar o norte do país. A área escolhida foi o Ceará, local em que a comissão de pesquisadores passou três anos, colhendo dados sobre as características da região. O Maciço de Baturité esteve na rota dos expedicionários. O material coletado ajudou a criar o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

Metodologia

O projeto Jovem Explorador funciona seguindo os moldes da excursão pioneira. O grupo de estudantes, composto por alunos das três séries do Ensino Médio, divide-se em cinco equipes de trabalho, cada uma mais voltada a uma temática específica. Desta forma trabalha-se a interdisciplinaridade, envolvendo diretamente as matérias de História, Geografia, Sociologia, Biologia e Química.

“O principal objetivo é fazer os jovens conhecerem a própria sociedade em que estão inseridos, descobrindo o papel ativo e transformador que têm dentro da comunidade”, enfatiza Levi Jucá. “Eles estão na escola não apenas para aprender conteúdos, serem aprovados em provas ou em vestibulares. Também, para serem agentes de transformação na cidade em que vivem, tendo olhar sensível para a realidade local, e deixando uma contribuição de crescimento social e cultural”, avalia o professor.

Levi destaca, ainda, que a iniciativa possibilita aos estudantes a iniciação científica ainda na escola, “o que facilitará o caminho deles na faculdade”, argumenta.

A intenção é que o projeto funcione em caráter permanente. À medida que uns saem, ao concluir o Ensino Médio, novos membros vão sendo incluídos, esclarece o idealizador.

Material

Utensílios domésticos antigos, documentos históricos, fotografias de época, mapas de trilhas ecológicas, entre outros materiais, compõem o acervo de itens coletados pelos alunos pesquisadores. Quase tudo é fruto de doação dos moradores. A ideia, agora, é catalogar os objetos e reuni-los, para montar uma exposição. Os estudantes foram presenteados com um terreno no Campus de Pacoti da Universidade Estadual do Ceará (Uece), onde está sendo erguido um ecomuseu, que deverá abrigar os artigos. A edificação está em fase de acabamento.

19.08.2016

Assessoria de Comunicação da Seduc
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Expediente imprensa2-01