Albert Sabin realiza primeira cirurgia para tratamento de epilepsia

2 de setembro de 2016

O pequeno João Pedro, de 3 anos de idade, está internado há um ano no Hospital Infantil Albert Sabin, da rede pública do Governo do Ceará. Desde os dois anos de idade, Pedro sofre de convulsões decorrentes. Ele foi diagnosticado com Encefalite de Rasmussen, uma desordem neurológica rara e progressiva, que se caracteriza principalmente pelo ataques epiléticos frequentes e severos. Na última quarta-feira (31), João Pedro participou de um moderno procedimento cirúrgico para o tratamento da epilepsia no Hospital Albert Sabin. O hospital, que é referência no atendimento a crianças e adolescentes com doenças de alta complexidade, fez a primeira hemisferectomia. “Trata-se de um tratamento cirúrgico daquela epilepsia que não responde aos medicamentos”, explica o neurocirurgião pediátrico Eduardo Jucá.

Logo após a cirurgia, João Pedro foi encaminhado para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Albert Sabin. Ele acordou no dia seguinte e, desde então, não tem apresentado crises convulsivas e se encontra estável. Segundo a equipe médica, o menino deve permanecer na UTI por mais alguns dias. Os pais, Maiara e Francisco Wellington Falcão Castro, afirmam estar impressionados com a melhora do filho. A avó, Maria do Carmo Vieira Rodrigues, não vê a hora de poder levar o menino para casa, no Parque Santa Rosa. “Deus é maior e ele vai se recuperar”, diz Maria.

João Pedro já se encontrava debilitado, com paralisia parcial no lado direito do corpo e declínio cognitivo. Por isso, a equipe médica do Albert Sabin avaliou que uma viagem até São Paulo para realização do procedimento poderia ser ainda mais desgastante para a criança. “As convulsões eram a toda hora, elas não paravam. Os médicos disseram que somente com a cirurgia, ele poderia melhorar. É difícil, a gente sabe. Mas a gente tem muita fé”, fala a avó.

De acordo com a diretora geral do hospital, Marfisa Portela, com o novo procedimento cirúrgico no Albert Sabin, outras crianças com hemisferectomia terão o atendimento garantido e mais perto de casa, sem precisar viajar a um outro estado para fazer a cirurgia. “Poder realizar esse procedimento só torna ainda melhor o tratamento de excelência que trabalhamos para os nossos pacientes”, afirma.

Hemisferoctomia

Para realizar o procedimento, foi convidado o neurocirurgião da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, Marcelo Volpon. “Existem centros de excelência no país que realizam a cirurgia já como rotina, uma deles é USP de Ribeirão Preto. Então, a gente contou com a participação especial do Dr. Marcelo Volpon para conduzir o procedimento”, ressalta Eduardo Jucá.

“É importante frisar que Encefalite de Rasmussen é classicamente tratada dessa forma porque afeta toda uma metade do cérebro. Então, o tratamento é isolar essa metade do restante. O que se espera conseguir de imediato é a diminuição ou parada das crises convulsivas. Daí vem o trabalho de reabilitação. A cirurgia é o ponto inicial do tratamento”, explica Volpon, ressaltando que o tratamento acontece a longo prazo.

Ao todo, 10 profissionais, entre neurocirurgiões, enfermeiros, técnicos e anestesista, se envolveram diretamente na cirurgia. E todo o procedimento, que foi iniciado às 6h e terminado às 14h40, foi transmitido para a equipe de residentes. “Essa decisão de fazer a cirurgia aqui acabou com o risco da viagem, o estado de João Pedro já era difícil. Agora, acredito que podemos nos manter fazendo a hemisferectomia aqui no Sabin. Foi provado que, em termos de equipamento, o hospital está preparado”, afirma Eduardo Jucá. Opinião semelhante a apresentada pelo médico convidado, Marcelo Volpon: “para esse tipo de cirurgia, particularmente, a gente conseguiu fazer sem nenhum problema”.

02.09.2016

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