Em 16 anos, Ceará reduz em mais de 90% casos de esquistossomose

14 de outubro de 2016

Em 16 anos, o número de casos de esquistossomose no Ceará despencou de 1.267 registros no ano 2000 para 118 em 2015. Mesmo assim, a quantidade de óbitos no período manteve-se estável, com sete mortes pela doença em 2000 e o mesmo número em 2014. Diferente de outros estados, onde a esquistossomose é endêmica, no Ceará a transmissão da doença é focal, não atingindo grandes áreas. Entre 2010 e 2015, por exemplo, os 488 casos registrados no Estado ocorreram em 19 municípios, com 16 óbitos. Em 2016, até o início de setembro, foram realizados 3.657 exames de coproscopia. Nenhum óbito foi registrado. As informações estão no boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado, nesta quinta-feira (13).

A esquistossomose mansoni é uma infecção adquirida quando as pessoas entram em contato com água doce infectada. Caramujos do gênero Biomphalaria são os hospedeiros intermediários do Schistosoma mansoni. Esses moluscos vivem em água doce de córregos, riachos, valas e açudes onde há pouca correnteza e bastante quantidade de matéria orgânica. Transmitida ao homem, a doença inicialmente assintomática pode evoluir para formas clínicas extremamente graves e levar o paciente a óbito. No Ceará, o inquérito do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose realizou entre 2010 e o ano passado 171.927 exames em 71 municípios e em 52 deles não houve registro de casos.

A pesca em águas interiores é o principal fator de risco para a esquistossomose no Ceará. Para prevenir a doença, é preciso evitar tomar banho em coleções de águas doces, como rios, lagos, açudes, valas e canais de irrigação em áreas onde há transmissão da esquistossomose. Os moluscos são hospedeiros de parasitas do homem e dos animais domésticos. No Brasil, as principais doenças relacionadas aos moluscos são a esquistossomose, a fasciolose e a angiostrongilose abdominal. Existem outros moluscos que podem acidentalmente injetar veneno, causando a morte de seres humanos (normalmente, catadores de conchas). Outras espécies podem causar intoxicação alimentar e transmitir a cólera. Ostras e outros moluscos são os principais alimentos responsáveis pela transmissão da febre tifoide.

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14.10.2016

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