Seminário de Avaliação da Seca de 2010-2016 tem início em Fortaleza

30 de novembro de 2016

O objetivo de documentar aspectos climáticos, impactos, respostas e lições para subsidiar futuras estratégias de adaptação aos impactos das secas no contexto de mudanças climáticas e crescente pressão antrópica e contribuir para o aperfeiçoamento da Política Nacional sobre Secas

 

 MVS71651Teve início, na manhã desta quarta-feira (30), o Seminário de Avaliação da Seca de 2010-2016 no Semiárido Brasileiro, no Centro Administrativo do Banco do Nordeste, no bairro Passaré. O evento, que é uma realização do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social supervisionada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e do Governo do Ceará, através da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), acontece até o dia 2 de dezembro e tem a participação direta dos nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo, Governo Federal e de Instituições Internacionais.

 MVS7216O secretário de Recursos Hídricos do Estado, Francisco Teixeira, disse que o seminário é de grande importância para o desenvolvimento de medidas produtivas contra a seca. “Para quem convive com o semiárido, temos que aproveitar as grandes secas para desenvolver uma análise profunda dos impactos gerados e fazer prospecções para o futuro. Então, esse encontro acontece num momento oportuno, em que estamos reunidos com especialistas de todo o Brasil para aprofundarmos os conhecimentos e estabelecer pilares para que nos próximos anos estejamos ainda mais preparados para conviver com essa realidade”, disse.

O Seminário de Avaliação da Seca de 2010-2016 no Semiárido Brasileiro tem o objetivo de documentar aspectos climáticos, impactos, respostas e lições para subsidiar futuras estratégias de adaptação aos impactos das secas no contexto de mudanças climáticas e crescente pressão antrópica e contribuir para o aperfeiçoamento da Política Nacional sobre Secas.

O presidente da Funceme, Eduardo Martins, destaca que o órgão tem papel fundamental na articulação de respostas emergenciais para o tema. “A gente tenta abrigar o conhecimento não só no setor de meteorologia, mas também no setor de meio ambiente, e a Funceme funciona como esse articulador de políticas públicas. Sabemos que os impactos são sentidos em toda a economia. A política da seca tem três pilares: monitoramento e previsão; análise de impactos; e a resposta. Essa nós desenvolvemos junto a várias esferas para trazer a análise a médio e longo prazo para, a partir dessa reflexão, traçarmos toda a estratégia de política de convivência com a seca”, disse.

O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antônio Galvão, disse que a troca de conhecimentos em diferentes áreas é essencial para aprimorar os  trabalhos. “O objetivo desse seminário é dar vazão a um trabalho muito importante que caminha para uma nova visão de política sobre a seca. É um aprimoramento a um trabalho que ao longo de décadas fazemos na área e que promete dar uma nova qualidade. O essencial é propôr uma política proativa que não só responda ao período de crise, mas de permanência na atenção à questão”, disse.

Durante a abertura do Seminário, o CGEE lançou, em parceria com o Banco Mundial, o livro “Secas no Brasil – Política e Gestão Proativas”, que traz uma documentação de dados, análises e imagens da atual estiagem no semiárido. Fazem parte da programação também uma Exposição de Fotografias sobre a Seca no Nordeste, com imagens feitas pelos fotógrafos Dorte Verner (Banco Mundial), Juliana Lima de Oliveira (Funceme), Leandro Castro (Funceme), Bruno Zaranza (Funceme) e Giullian Nicola Lima dos Reis (Funceme). As fotos são registros de viagens de campo ao Sertão do Ceará nos anos de 2015 e 2016, e de missões recentes do Banco Mundial no semiárido brasileiro.

Período de estiagem

O seminário serve como um registro do mais prolongado período de seca, pois, nos sete anos entre 2010 a 2016, seis foram de estiagem no semiárido nordestino. A exceção foi o ano de 2011. Apesar da secular experiência nacional de políticas públicas para o enfrentamento das secas do Nordeste, os impactos econômicos, sociais e ambientais ainda se fazem presentes. Além de queda na produção agropecuária e de impactos negativos em outras atividades econômicas, há séria crise no abastecimento de água, com muitos reservatórios já secos ou em situação crítica.

Plano de Segurança Hídrica do Ceará

O Ceará tinha, em 12 de setembro de 2016, somente 9,6% de água disponível nos 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).  Como forma de promover o engajamento da população para o uso consciente da água o Governo do Ceará iniciou a campanha “Todos pela Água”, com forte apelo de sensibilização para a dificuldade de oferta hídrica.

Além disso, a campanha “Todos pela Água” apresenta o Plano de Segurança Hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza, instrumento elaborado em parceria com diversos órgãos. As ações têm como objetivo reduzir em 20% o consumo de água, com investimentos previstos em R$ 72,1 milhões. São elas:

– Reforço no combate às perdas de água (fraudes e vazamentos);
– Perfuração de novos poços e manutenção dos já existentes em áreas críticas de abastecimento e em equipamentos públicos (saúde, educação e segurança);
– Perfuração de poços no Pecém;
– Aproveitamento do sistema hídrico do Cauípe;
– Aproveitamento do açude Maranguapinho;
– Reúso das águas de lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água do Gavião;
– Captação pressurizada de água no açude Gavião;
– Reforço no abastecimento de Aquiraz com implantação de adutora de água tratada;
– Revisão da meta da Tarifa de Contingência (aumento da meta de economia de água pela população de 10% para 20%);
– Redução da oferta de água em 20% para indústrias da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF);
– Plano de Comunicação.

30.11.2016

Fotos: Marcos Studart / Governo do Ceará

Thiago Sampaio
Repórter / Célula de Reportagem

Expediente imprensa 23nov 2016-01