Em 2016, Albert Sabin atendeu 262 casos suspeitos de microcefalia

12 de Janeiro de 2017

Referência no diagnóstico e tratamento de microcefalia por zika, o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), da rede pública do Governo do Ceará, atendeu 262 casos suspeitos entre 23 de novembro 2015 e esta quarta-feira, 11 de janeiro de 2017. “Sem dúvida, foi um período desafiador”, ressaltou o neurogeneticista André Luís Santos Pessoa.

Segundo o especialista, em 20 dos 262 bebês examinados, confirmou-se a microcefalia por zika, ou a zika congênita. Outros 87 são classificados pela equipe de especialistas do Albert Sabin como casos prováveis, mas que já recebem tratamento. Em 94 pacientes a suspeita não se confirmou e eles tiveram alta.

Ainda de acordo com André Luís, os 107 bebês (casos confirmados e prováveis) seguem sendo acompanhados. Ele ressalta as dificuldades dos primeiros meses, tendo em vista que tudo relacionado à zika congênita era novidade. O neurogeneticista explica que foi necessário direcionar uma rede de especialistas para, inicialmente, diagnosticar, e, depois, definir a melhor linha de tratamento para as crianças. “Foi árduo”, destacou ele. Em 61 dos casos suspeitos, no entanto, as famílias acabaram não seguindo com o acompanhamento médico após as primeiras consultas no hospital.

Tratamento multidisciplinar

No Albert Sabin participaram do processo neurologistas, pediatras, geneticistas, infectologistas, enfermeiros e oftalmologistas. Fora do hospital, pôde-se ainda contar com o auxilio de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas, epidemiologistas e agentes de saúde. Os especialistas eram “convocados” conforme os diagnósticos e as necessidades dos bebês se apresentavam.

“Era desafiador (…) Por conta do grande número de pacientes, da situação grave de alguns desses pacientes. Então, a gente tentou desde o começo unir duas coisas. Primeiro, fazer um bom assistencialismo, dar diagnósticos corretos; separar os casos de microcefalia por zika dos demais; e tentar fazer os direcionamentos dos pacientes. Ao mesmo tempo, manter um trabalho de pesquisa científica de qualidade”, disse.

Ao longo dos 14 meses, 15 dos 107 pacientes apresentaram hidrocefalia (quando se acumula no cérebro um liquido chamado de líquor ou liquido céfalo-raquidiano), quatro deles passaram por procedimentos cirúrgicos. Vinte e nove sofrem com epilepsia (alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro).E 16, têm perímetro do crânio no tamanho normal.

Experiência

Após um ano e dois meses acompanhando cada caso, os especialistas do Albert Sabin já visualizam progressos no diagnóstico e direcionamento de tratamento dos casos. Entre eles, o da Maria Vitória, de um ano e dois meses. “Ela agora já nos acompanha mais quando a gente fala”, destacou a mãe da menina, Aline Soares da Silva, de 23 anos. “Ela nasceu prematura com 28 semanas e cinco dias. Depois que ela nasceu suspeitaram (de microcefalia), perguntaram se eu tive zika e eu disse que não, eu não tive sintomas”, conta a mãe da criança.

“Ela é minha primeira filha, foi um choque”, afirmou Aline. Apesar do susto inicial, Aline afirma ter se sentido amparada clinicamente com acompanhamento da filha, que, logo após ser diagnosticada, foi encaminhada para tratamento de estimulação precoce no Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep). “Ela tem fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, oftalmologista, pediatra”, conta.

Atendimento no Hias

As consultas a bebês com microcefalia encaminhados para o Albert Sabin, por meio da Secretaria da Saúde do Estado, ocorrem normalmente ao longo da semana, assim como os exames. Aqueles com diagnósticos mais graves são reavaliados mensalmente. Já os pacientes estáveis têm reavaliações trimestrais, enquanto a avaliação oftalmológica é semestral.

Todos os pacientes atendidos no Hospital Infantil Albert Sabin são encaminhados para os serviços de referência locais em estimulação precoce. As terapias acontecem em 10 das 19 policlínicas regionais do Estado (Caucaia, Barbalha, Russas, Sobral, Baturité, Camocim, Tianguá, Crateús, Limoeiro e Pacajus), no Núcleo de Atenção Médica integrada (Nami) da Universidade de Fortaleza e no Nutep.

12.01.2017

Foto: Assessoria  de Comunicação do HIAS

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