Adicto destaca importância do acolhimento e da ajuda profissional para vencer a dependência química

24 de Janeiro de 2017

Aos 18 anos de idade, Paulo Roberto Silva de Oliveira tornou-se um usuário de drogas. O álcool foi a “senha” para a dependência química. Conhecer a maconha, a cocaína e o crack foi uma questão de tempo. Dez anos se passaram. Hoje, aos 28 anos, ele garante: “Fui ao fundo do poço. Mas, nunca desisti de me livrar das drogas. Depois de muito sofrimento e provações, estou limpo há quase dois meses. A tentação é grande, mas eu sigo em frente. Nessa batalha, conto com o apoio da família, a força da fé e o constante apoio profissional”.

O rapaz encontrou a ajuda necessária para deixar as drogas ao conhecer o Corre Pra Vida, projeto desenvolvido pela Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD) que atende pessoas em situação de rua ou em outros contextos de vulnerabilidade social. A maioria dos beneficiários da ação é usuária de drogas. Naquele momento, Paulo Roberto perambulava pela região denominada de Oitão Preto, no Centro de Fortaleza, e sobrevivia de pequenos serviços na rua, como vigiar e lavar veículos. Na verdade, a maior parte do pouco ganho diário que obtinha servia para sustentar o vício.

Paulo Roberto conta que tentou livrar-se da dependência por diversas vezes ao longo dos anos. “Eu parava um tempo, passava a trabalhar normalmente, mas sempre voltava”, relata. O jovem até buscou tratamento em clínicas filantrópicas, mas sempre desistiu. “O crack me dominava. Chegou um momento que sai de casa e e fui parar numa região de intenso tráfico de drogas. Ali, era mais fácil adquirir crack. Muitas vezes, dormi no chão, ao relento. Até pensei em desistir de mim, tamanha a decepção comigo mesmo. Não queria voltar pra casa e decepcionar mais ainda minha família. Também não encontrava acolhimento, a orientação que precisava”, lembra.

O apoio profissional necessário veio ao passar a frequentar o conteîner do Projeto Corre Pra Vida. Contatos frequentes com os profissionais do projeto proporcionaram o suporte necessário para Paulo Roberto buscar a superação da dependência química. Ele conseguiu refazer o contato com a família, voltou para casa e buscou, também, apoio espiritual. A orientação profissional se mantém. Hoje, o rapaz se sente revigorado e até já pensa em voltar a trabalhar, quem sabe até na área de marketing, que ele adora e já foi estudante. Mas, isso sem abrir mão do que poderia chamar de “círculo de proteção e suporte”, ou sejam, a família, a religião e a ajuda profissional frequente.

“Felizmente, estou conseguindo vencer a luta contra a dependência química. Mas, isso é um exercício constante. Eu estava só e encontrei a ajuda correta, perseverei, aceitei o apoio oferecido e sigo em frente. Hoje, estou bem e nem penso em desistir. Cada dia é uma nova caminhada pra longe da dependência”, avalia Paulo Roberto. Ele não se considera exemplo de superação, mas avalia que sua experiência pode ser seguida por muitos. “Busque ajuda. Não se entregue às drogas. Não desista de você”, propõe a outras pessoas que sofrem devido ao consumo de drogas.

O jovem vê no Projeto Corre Pra Vida uma ponte para a ressocialização e a retomada dos vínculos familiares por parte de usuários de drogas. “O apoio e o suporte de profissionais interdisciplinares e redutores de danos foi fundamental para mim”, destaca Paulo Roberto, lembrando que a abordagem e o acompanhamento, aliados à sua vontade de vencer as drogas, lhe proporcionaram a retomada de uma vida normal.

O Corre Pra Vida foi implantado pela SPD em novembro de 2015. O projeto tem viabilizado o acesso gratuito a atividades de autocuidado, serviços de saúde, à rede assistencial e à Rede de Atenção Psicossocial (Raps) por parte de pessoas em situação de rua e socialmente vulneráveis, principalmente devido à dependência de drogas.

O contêiner do projeto está instalado no Oitão Preto, área situada junto à Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, no Centro da cidade. No equipamento, os usuários são acolhidos por uma equipe de profissionais interdisciplinares – psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais – e por redutores de danos. O ponto de acolhimento / abordagem fica aberto de segunda à sexta-feira, das 8 às 17 horas.

Através do Corre Pra Vida, também é proporcionado o acesso dos beneficiários a atividades informativo / educativas e de reinserção social e profissional em pontos diversos da capital, com foco na redução de danos causados pelo uso de drogas. O objetivo é levar acolhimento e tratamento aos beneficiários, além de fortalecer o processo de ressocialização.

24.01.2017

Fernando Brito
Repórter

Daniela Negreiros
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Expediente imprensa 05dez 2016-01