Sesa divulga ações no enfrentamento às arboviroses

12 de maio de 2017 # # #

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A Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) apresentou nesta sexta-feira (12) ações no enfrentamento às arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya, em todo o estado por meio de visitas técnicas de apoio aos municípios (33 operações realizadas), fornecimento de material de apoio aos agentes de controles de endemias municipais, distribuição de dez mil rolos de telas para depósitos de água e aplicação do fumacê, nome popular para a pulverização espacial UBV.

Na apresentação do boletim epidemiológico à imprensa, na manhã de sexta-feira, o secretário da Saúde do Ceará, Henrique Javi, destacou a grande mobilização para o combate ao mosquito transmissor, mas ressaltou que 81% dos criadouros do Aedes aegypti são domésticos. “Temos que ter a consciência de que enquanto houver criadouros, nós vamos ter o mosquito”, alertou. “O combate efetivo tem que ser no criadouro, na fase ovo, porque se chegar na fase aquática, na fase alada, nós somos muito menos eficazes no combate”, orientou o secretário.

A Sesa também monitora os municípios com maiores índices de infestação pelo mosquito e de incidência de casos de arboviroses no Ceará. O monitoramento de casos até esta semana mostra que foram notificados 41.723 casos de chikungunya no Estado. Houve confirmação de 13.312, dos quais cinco levaram a óbito nos municípios de Beberibe (1), Caucaia (1), Fortaleza (2) e Pacajus (1). Outros 40 óbitos estão sob investigação.

Segundo o mesmo boletim, foram notificados 32.682 casos de dengue no Ceará, dos quais foram confirmados 7.170 em 110 dos 184 municípios cearenses. Destes casos, seis foram de dengue grave, dentre os quais três foram a óbito, nos municípios de Fortaleza, Maracanaú e Tabuleiro do Norte. Ainda estão sob investigação 35 óbitos por dengue. Os casos suspeitos de zika notificados foram 1.249, dos quais 125 foram confirmados.

Um total de 130 municípios cearenses recebeu cartas de alerta da Secretaria sobre risco de epidemia em relação às arboviroses, dos quais 86 (66,1%)  encaminharam plano emergencial para combate ao mosquito. “Nunca tivemos mobilização do tamanho do que o Ceará está tendo hoje em unificação de municípios combatendo o Aedes aegypti, é talvez a maior mobilização que envolve não só o poder público, mas também a sociedade, as famílias, as escolas, a imprensa”, avaliou Henrique Javi. “O que leva à preocupação este ano é a presença do chikungunya, uma condição nova, e a população do Ceará toda suscetível, realmente o número de casos é importante, chama nossa atenção e nos deixa todos em alerta”, ressalvou.

O secretário se referiu a estudos da Fundação Oswaldo Cruz para ressaltar a ação do vírus dessa doença, que segundo ele chega a infectar duas vezes mais que a dengue, quatro vezes mais que a zika. “De cada dez pessoas picadas por mosquito infectado de chikungunya, sete a oito adoecem, de dengue, apenas quatro, e zika, duas pessoas”, exemplificou Javi.

Cenários epidemiológicos

Com a circulação endêmica de três arbovírus, dengue, chikungunya e zika, novos cenários epidemiológicos são identificados no Ceará em 2017. No cenário epidêmico, a Sesa diminuiu a periodicidade do boletim de arboviroses de mensal para semanal, alertando para que o processo de vigilância (notificação, investigação e análise do perfil epidemiológico e principais áreas acometidas), o manejo clínico adequado do paciente e ações de controle vetorial sejam intensificadas pelos gestores e profissionais de saúde.

Entre as ações que cabem aos municípios, de acordo com o Plano Estadual de Vigilância e Controle das Arboviroses 2017/2018, está a inclusão de casos suspeitos de arboviroses no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O cenário de cada município é avaliado e, a depender do caso, pode contar com medidas como visita técnica da equipe da Sesa e monitoramento do plano de ação para o combate ao mosquito. A Secretaria enviou cartas de alerta aos municípios sob risco de epidemia e cobrou a elaboração de plano emergencial de enfrentamento às arboviroses.

Combate ao vetor

A eliminação de criadouros deve ser realizada pelo menos uma vez por semana. Assim, o ciclo de vida do mosquito será interrompido. A campanha Todos Contra o Mosquito, do Governo do Ceará, desenvolve ações permanentes com esse objetivo. O Estado também conta com o Comitê Gestor Estadual de Políticas de Enfrentamento à Dengue, Zika e Chikungunya, criado em 2015, pelo governador Camilo Santana.

A maioria dos focos do Aedes aegypti são encontrados dentro de casa. É preciso manter os quintais sempre limpos, recolher, eliminar ou guardar longe da chuva todo objeto que possa acumular água, como pneus velhos, latas, recipientes plásticos, tampas de garrafas, copos descartáveis e até cascas de ovos. O lixo doméstico deve ser acondicionado em sacos plásticos e descartado adequadamente, em depósitos fechados.

A passagem do fumacê, nome popular para a Pulverização espacial UBV, não diminui a necessidade da eliminação dos potenciais focos do mosquito. O procedimento que consiste na liberação via aérea de gases, que agem, por contato, atinge os mosquitos adultos em voo. A ação do produto só é efetiva quando o inseticida está em suspensão no ar e só mata o mosquito adulto. O inseticida não mata as larvas do mosquito, que estão em caixas d’água, potes, baldes, pneus, lajes. A recomendação aos moradores é que abram portas e janelas das casas na passagem do fumacê para que o inseticida atinja o mosquito dentro das residências.