Agência de saúde dos EUA avaliará ações contra sarampo no Ceará

7 de novembro de 2017 # # #

Cristiane Bonfim/ Marcus Sá / Helga Rackel - Assessoria de Comunicação da Sesa

Para avaliar o impacto das intervenções de saúde pública durante o surto de sarampo no Ceará, ocorrido no período de 2013 a 2015, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), por meio da Coordenadoria de Promoção e Proteção (Coprom), participa de treinamento internacional, em uma cooperação técnica da Sesa, Unichristus e Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), de Atlanta, Estados Unidos, para traçar novas parcerias para pesquisas com o Brasil. O treinamento inicia nesta segunda-feira, 6, e segue até 18 de novembro.

O treinamento é sobre vigilância epidemiológica e projeções de epidemias de doenças de transmissão respiratória como sarampo, rubéola, influenza, entre outras. “Estudaremos a resposta ao surto de sarampo que aconteceu no Ceará, nos anos de 2013 a 2015. Os resultados desse estudo poderão explicar como se dá a transmissão de doenças em eliminação, mesmo diante de uma população com alta proporção de pessoas vacinadas”, diz a coordenadora da Coprom/ Sesa, Daniele Rocha Queiroz Lemos, que apresentará experiência cearense durante as duas semanas de treinamento.

Sarampo no Ceará

O Ceará foi declarado livre do sarampo em 2016, após uma epidemia iniciada em dezembro de 2013, com 1.052 casos confirmados até julho de 2015. O fim da transmissão do vírus do sarampo no Ceará foi anunciado em 24 de setembro de 2015 pelo governador Camilo Santana e o então ministro da Saúde, Arthur Chioro. No treinamento do CDC serão avaliados os fatores que impulsionaram a transmissibilidade da doença durante o surto, já que mesmo diante de altas coberturas vacinais, o vírus se disseminou por 20 meses e em 38 municípios do Estado.

Para a avaliação serão aplicadas técnicas de modelagem matemática aos dados epidemiológicos do Ceará. Após as análises, novos entendimentos sobre a transmissão do sarampo poderão subsidiar as ações de saúde pública que deverão ser desencadeadas para evitar que a doença retorne ao continente americano, uma vez que há surtos da doença em outros continentes, como a Europa, África e Ásia. Na América do Sul, a Venezuela sofre com um surto da doença, situação que alerta para o risco de importação do sarampo por outros países das Américas, inclusive o Brasil.

Recentemente, o artigo “Measles epidemic in Brazil in the post-elimination period: Coordinated response and containment strategies”, de autoria de Daniele Queiroz, foi publicado na revista científica internacional Vaccine, comprovando o reconhecimento internacional da pesquisa da Secretaria da Saúde do Ceará. Outras parcerias entre a Secretaria da Saúde e o CDC se estendem desde 2013, quando planos de trabalho implementaram e instrumentalizaram a vigilância de uma doença ainda pouco conhecida no país, a Melioidose. Essa parceria segue até os dias atuais, com o objetivo de diagnosticar precocemente e tratar oportunamente os pacientes, a fim de evitar mortes.

CDC

O Centros de Controle e Prevenção de Doenças é uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, sediada no Condado de DeKalb, Geórgia, Estados Unidos, adjacente ao campus da Emory University e à leste da cidade de Atlanta. Trabalha na proteção da saúde pública e da segurança da população, provendo informações para embasar decisões quanto à saúde e promove esta através de parcerias com departamentos estaduais de saúde e outras organizações. O CDC concentra a atenção nacional no desenvolvimento e emprego de prevenção e controle de moléstias (especialmente contagiosas), saúde ambiental, saúde ocupacional, enfermagem, prevenção de acidentes e atividades de educação sanitária projetadas para aprimorar o bem-estar da população dos Estados Unidos da América. É referência internacional em grandes descobertas envolvendo doenças infecciosas, mecanismos de transmissão e agentes etiológicos, como a identificação do vírus HIV, Influenza (cepa pandêmica), entre outros.