Saliva Artificial devolve qualidade de vida a pacientes do HGF

26 de dezembro de 2017 # # #

Débora Morais - Assessoria de Comunicação do HGF

 

O uso de medicamentos ansiolíticos e analgésicos, por exemplo, e remédios para pressão alta e depressão podem ocasionar falta de saliva. A sensação de secura na boca e na garganta, mau hálito e dificuldade de mastigar são alguns dos sinais os quais podem significar que a saúde bucal está em risco. Outros fatores que podem levar a essa perda são os tratamentos de radioterapia, como é o caso do seu Raimundo Osmundo de Sousa, 67, que há três anos é atendido no ambulatório de odontologia do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), da rede pública de saúde do Governo do Ceará.

Há quatro anos, o aposentado descobriu que sofria de um câncer na laringe. Foi quando iniciou o tratamento de radioterapia na região da cabeça e pescoço para poder tratar a doença. A intensidade do tratamento de radioterapia trouxe danos para a garganta de seu Raimundo. “Eu comecei a ter redução na produção de saliva e isso foi gerando um grande desconforto para mim. De repente, eu não conseguia mais comer e nem falar, fui perdendo a voz, o que acabou comigo”, lembra.

A falta de saliva diminui a imunidade do organismo e pode acarretar sérios problemas bucais. Em média, o organismo sadio gera de um a dois litros de saliva diariamente. Composta por 98% de água e 2% de enzimas, a saliva neutraliza a ação dos ácidos que danificam o esmalte do dente, além de proteger, removendo os resíduos alimentares da boca e facilitando a mastigação.

Saliva artificial

Há 15 anos, o HGF, em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor), iniciou o projeto Saliva Artificial. De acordo com o cirurgião buco-maxilo-facial Eliardo Silveira, havia muitos pacientes que apresentavam osteorradionecrose, uma sequela pós-radioterapia de câncer de boca e pescoço. Segundo ele, a hipossalivação era o efeito colateral mais recorrente. Foi quando o projeto surgiu. “Resolvemos estudar a fundo como poderíamos ajudar essas pessoas. Então demos início a esse trabalho”, diz.

Atualmente, 30 pacientes são atendidos e estão recebendo gratuitamente a substância que é composta por sais minerais, como cloreto de sódio, magnésio e fosfato. Ainda de acordo com o chefe do serviço, o processo de perda salivar é geralmente irreversível, isso porque quando se perde as glândulas salivares não há como recuperá-las. “Há alterações significativas, possibilitando os agentes microbianos se instalarem com mais facilidade. Então o paciente nunca vai voltar ao que era antes. A saliva lhe dá uma condição de convivência social, que é muito importante para o paciente, pois ele tem a sua questão estética abalada”, afirma.

Uma vez por mês, seu Raimundo retorna ao ambulatório de odontologia para poder pegar a saliva artificial que necessita usar quatro a cinco vezes por dia. Ele comenta que, desde então, a sua vida virou outra. “Eu estou no céu aqui. Antes, a minha vida estava muito complicada, porque eu não conseguia conversar direito com as pessoas sem saliva. Agora, curado do câncer, eu só tenho a agradecer a toda essa equipe daqui que me trouxe essa outra possibilidade”, diz o aposentado.

Os pacientes atendidos pelo projeto ainda são acompanhados pela Odontologia do HGF, já que a falta da produção das glândulas salivais acarreta também problemas como as cáries. Uma média de 1.148 atendimentos são realizados por mês. Neste ano, 13.783 pacientes foram atendidos no ambulatório de odontologia.
Serviço

Para ter acesso ao programa é preciso que o paciente seja encaminhado, por meio da Central de Regulação, após passar por uma primeira consulta e uma unidade básica de saúde. O atendimento no ambulatório de odontologia do HGF acontece de segunda a sexta-feira, das 7h às 16 horas.