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Projeto Justiceiras lança cartilha no canal da SPS no youtube

1 de dezembro de 2020 - 09:36 # # # # # #

Ascom SPS

Para apoiar e acolher mulheres que rompem o ciclo da violência a reconstruir suas vidas, o projeto Justiceiras lança na próxima quarta-feira, 2 de dezembro, às 20h, no canal da SPS no YouTube, uma cartilha de orientação para profissionais atuantes com direitos das mulheres. A programação faz parte dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres.

O programa é uma força-tarefa pelas mulheres e já conta com mais de três mil voluntárias nas áreas do Direito, Psicologia, Assistência Social, Médica e uma rede de apoio com o objetivo de acolher mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Milena Cerqueira, uma das articuladoras nacionais do projeto e que atua na coordenadoria de Políticas Públicas dos Direitos Humanos da Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS), explica a atuação do projeto e como a cartilha será útil para humanizar cada vez mais o atendimento às mulheres em situação de violência.

“A proposta do projeto é eliminar a dificuldade de deslocamento para buscar ajuda e contribuir com as informações necessárias para que a mulher possa denunciar o agressor e lutar por seus direitos”, frisa a assistente social, ao lembrar que já foram atendidas através do projeto 2.438 mulheres de diversos estados do país.

Para a titular da SPS, Socorro França, a ação vem para fortalecer ainda mais a rede de profissionais atuantes no combate a violência doméstica no Estado do Ceará. “Neste período de pandemia, testemunhamos o quanto a violência doméstica ficou mais privada do que nunca. Iniciativas que reforcem essa atenção à mulher são muito necessárias”, destaca Socorro França.

A secretária enfatiza que a cartilha vai ser mais um elemento para auxiliar as profissionais que atuam nos equipamentos da rede de proteção a mulher. “A cartilha será compartilhada com toda a rede socioassistencial do Estado, contemplando os profissionais dos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Referência da Assistência Social (Cras), Centros de Referência dos municípios e Casa da Mulher Brasileira”, pontua.

O material ficará disponível no site das justiceiras, que pode ser acessado pelo link. O Ceará é um dos estados que mais tem desenvolvido políticas para atender as mulheres em situação de violência. O estado conta atualmente com 14 Centros de Referência Especializados, 10 delegacias especializadas e patrulhas da Polícia Militar que atuam em Fortaleza e no Cariri.

Milena Cerqueira destaca que dentre as voluntárias há tanto mulheres que já atuam com a violência de gênero como as que chegam porque querem ajudar outras mulheres. “Existe uma força muito bonita dentro desse movimento, porque é feito todo por mulheres que mesmo sem ter vivência na causa, podem contribuir com a rede de apoio e acolhimento. Quando entendemos que a violência contra a mulher é um fenômeno social, de saúde pública e cultural, percebemos que isso diz respeito a todos nós enquanto sociedade”, observa.

Denúncias

A violência psicológica lidera a lista dos relatos das mulheres que buscam ajuda no projeto. Para se ter ideia, das mulheres atendidas, 94% fazem menção a esse ato. Em seguida, 52% delas afirmam sofrer ameaças, 43% enfrentam a violência física, enquanto 22% relataram a agressão sexual e 34%, a patrimonial. O que chama a atenção é o fato de boa parte dos relacionamentos já terem sido rompidos, no entanto, as mulheres (51% das atendidas) continuam morando com os agressores (ex-marido, ex-namorado, ex-companheiro), e aquelas que ainda mantêm a relação (17%) expressam o desejo do rompimento, e de se desvincular imediatamente de seus parceiros.

Há, ainda, o restante desta parcela, 32%, representada por aquelas que já estão em outros relacionamentos, porém, ainda sofrem ameaça do companheiro anterior.

O projeto Justiceiras funciona com atendimento on-line, basta entrar em contato via WhatsApp, pelo telefone (11) 99639-1212. Ao enviar uma mensagem, as mulheres recebem um link para preencher um formulário. A partir desse contato, são feitos os encaminhamentos para as voluntárias, que vão acompanhar caso a caso.