Sedih realiza atendimento humanizado para tripulação de navio africano que estava à deriva há quase dois meses

1 de abril de 2026 - 16:30 # # # #

Gabriela Vieira - Ascom Sedih - Texto e Foto

Na manhã desta quarta-feira (1), equipes da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) realizaram atendimento a tripulantes de navio africano que estava à deriva há quase dois meses. O grupo chegou à capital cearense após enfrentar dificuldades com o navio e consequentes inconvenientes como alimentação escassa e difícil acesso à comunicação. 

As equipes da Secretaria realizaram triagem com a tripulação, identificando as necessidades iniciais de cada indivíduo para que sejam dados encaminhamentos. Por meio de atuação interinstitucional, o grupo está sendo acompanhado em Fortaleza para que seja garantida a dignidade humana durante todo o período que estejam na capital. 

Através da atuação da Sedih, os tripulantes receberam atendimento psicossocial e orientações migratórias, a partir da identificação das necessidades de cada caso. Dos 11 tripulantes, nove são de Gana, um da Holanda e um da Albânia. O grupo também tem sido acompanhado pela Sedih e demais instituições para garantia de alimentação, kits de higiene, água potável, acesso à saúde e a possibilidade de fazer contato com as famílias. 

O navio, que estava à deriva devido a uma falha do sistema hidráulico, foi resgatado por operação da Marinha do Brasil e atracou no Porto de Fortaleza, no Ceará, no último 27 de março. A Sedih foi acionada pela Delegacia de Migração da Polícia Federal (Delemig-CE) para ação interinstitucional de garantia de direitos.

Atualmente atuando como capitão da embarcação, J.W., de 45 anos, destaca o acolhimento que eles têm recebido das autoridades brasileiras, que tem possibilitado que o grupo enfrente o período de instabilidade com maior suporte.

“Até esse momento eu só tenho de ser grato às autoridades brasileiras, especialmente ao Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo (MRCC). Eles fizeram um trabalho incrível porque houve um momento em que não sabíamos se ia ser possível ficarmos vivos. Estar recebendo esse acompanhamento é um grande alívio porque estamos a muito tempo longe das nossas famílias e tem sido muito estressante, não tem sido fácil”, afirmou J. W.

O Ceará conta com Política Estadual para Migrantes, Refugiados e Apátridas e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, executada por meio do Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante (PAAHM) e do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP) da Sedih. 

“A atuação da Secretaria dos Direitos Humanos está sempre pautada em garantir a dignidade para todas as pessoas, sendo elas cearenses ou migrantes que chegam ao nosso território. O Estado do Ceará trabalha diretamente com a política migratória para que, em casos como esses, possamos contribuir com uma migração segura e ordenada”, reforça a secretária dos Direitos Humanos, Socorro França.

A Política Estadual, instituída pelo governador Elmano de Freitas em 2025, garante a articulação da rede de atendimento e proteção, o acompanhamento por equipe multidisciplinar, a orientação para acesso à documentação básica e à regularização migratória, além da promoção de capacitações, cursos e campanhas sobre as temáticas. Também prevê a integração de esforços com os sistemas de justiça, defesa social e demais órgãos que atuam na área.