Presídio feminino recebe temporada da peça “O Voo das Borboletas”

24 de outubro de 2017 # # # #

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Desde maio, um grupo de atores passou a alterar positivamente a rotina do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa. Uma vez por semana, o grupo ia à unidade, entrevistava internas, ouvia suas histórias e conhecia suas angústias. Quatro meses depois, as conversas funcionaram como um laboratório e as narrativas embasaram a peça O voo das borboletas, atualmente encenada no prédio onde funcionava o restaurante Sobre o mar, na Praia de Iracema, e na própria unidade prisional. O encerramento da temporada de apresentações acontece nesta quinta (26), às 10h, no presídio feminino.

O voo das borboletas é uma peça da Introspectus Cia. De Teatro, com dramaturgia e direção do teatrólogo Ivan Antônio, numa metodologia denominada Teatro da Solidão Solidária. “Esse teatro resgata a autoestima, a ressocialização de pessoas que sofrem com a exclusão”, destaca a atriz e diretora do grupo teatral, Márcia Ribeiro.

Márcia lembra que quando procurou a unidade prisional tinha como interesse conhecer mais do universo da mulher encarcerada. “Queríamos nos aproximar dessa gama de emoções para humanizá-las perante a sociedade”, destaca. O resultado foram conversas longas, sem resistências das internas em contar suas histórias. Ao contrário, a atriz destaca o quanto elas sentiam-se acolhidas em poder narrar suas experiências sobre o antes e durante a prisão.

Para a secretária da Justiça e Cidadania do Estado, Socorro França, ações como essa são fundamentais para trabalhar a ressocialização de internos e internas. “A cultura é sem dúvida uma ferramenta para trabalhar a consciência e o empoderamento dessas mulheres. É importante que a gente possibilite formas de elas se reinventarem dentro da unidade prisional e saírem de lá mais humanas e com uma nova visão de mundo”, destaca Socorro França.

A primeira apresentação ocorreu no dia 9 de outubro. A cada semana, um novo grupo de internas é escolhido pela direção da unidade para assistir à peça. Em seguida, as internas refletem e opinam sobre o espetáculo. Duas internas foram selecionadas para fazer a maquiagem do elenco. De acordo com a diretora, a idéia é permanecer em contato com as internas para que, quando elas deixarem a unidade prisional, possam se aproximar da companhia e ter ali um apoio para o retorno à sociedade.

A companhia pretende, ao fim da temporada, ministrar aulas de teatro para as internas. A Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado tem disponibilizado transporte para o grupo. A Escola Espaço Vivência está cedendo equipamentos de som para a peça.